Festival do Rio e o Goethe-Institut trazem retrospectiva inédita de Rosa von Praunheim

Não É o Homossexual Que É Perverso, Mas a Situação Em Que Ele Vive


O Festival do Rio e o Goethe-Institut apresentam uma retrospectiva inédita no Brasil dedicada ao cineasta alemão Rosa von Praunheim. A mostra reúne sete longas-metragens, entre documentários e obras de ficção, que atravessam diferentes momentos de sua trajetória. Pioneiro, provocador e irreverente, Rosa von Praunheim construiu uma obra fundamental em defesa da diversidade e dos direitos LGBTQIAPN+.

A abertura será no dia 6 de outubro, às 21h, no Cinesystem Belas Artes Botafogo, com a exibição de Não é o Homossexual que é Perverso, mas a Situação em que Ele Vive. Lançado em 1971, o filme se tornou um marco do cinema queer e teve papel importante no surgimento da moderna militância gay na Alemanha. A sessão será apresentada pela professora e comunicadora Rita von Hunty e, após a exibição, haverá um debate com Rita, o professor Luciano Tavares, professor do Goethe-Institut Rio de Janeiro, e Maria Mendes, programadora do Festival do Rio.

Ao longo de mais de cinco décadas, Rosa von Praunheim fez do cinema um espaço de visibilidade e discussão sobre as experiências da população LGBTQIAPN+. Seus filmes transitam entre o documentário e a ficção para abordar sexualidade, identidade, preconceito, pertencimento e liberdade, muitas vezes a partir de personagens e histórias pouco representados pelo cinema tradicional.

A retrospectiva é realizada em colaboração com o Goethe Institut, instituição de promoção da cultura alemã no mundo, cuja matriz adquiriu os direitos globais dos filmes. Para o Festival do Rio, o Goethe Institut no Rio de Janeiro legendou para o português e cedeu as cópias que o público carioca poderá ver na telona.

Première mundial complementa a mostra

Em um diálogo entre o cinema europeu e a nova produção cinematográfica brasileira, a retrospectiva servirá de palco para a première mundial do curta-metragem Autor Desconhecido (Unknown Author), uma coprodução Brasil-Alemanha, filmado inteiramente em Berlim. A exibição será na quinta-feira, dia 8 de outubro, às 21h45, aquecendo a tela para a sessão do longa Cidade das Almas Perdidas.

O curta, dirigido por Daniel Wierman e Paulo Menezes e estrelado por Bruno Fagundes, propõe uma investigação densa e inusitada sobre trauma, encenação e retomada do próprio protagonismo através da arte.

Confira a programação completa dos filmes da retrospectiva:

Não É o Homossexual Que É Perverso, Mas a Situação Em Que Ele Vive (Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation, in der er lebt), Alemanha, 1971. Direção: Rosa von Praunheim.

Amor Bruto (Härte). Documentário, Alemanha, 2015. Direção: Rosa von Praunheim.

O Einstein do Sexo (Der Einstein des Sex). Ficção, Alemanha/Países Baixos, 1999. Direção: Rosa von Praunheim.

Minhas Mães: Em Busca de Rastros em Riga (Meine Mütter). Documentário, Alemanha/Letônia, 2007. Direção: Rosa von Praunheim.

Sobrevivendo em Nova York (Überleben in New York). Documentário, Alemanha, 1989. Direção: Rosa von Praunheim.

Cidade das Almas Perdidas (Stadt der verlorenen Seelen). Ficção, Alemanha, 1983. Direção: Rosa von Praunheim. (Sessão de 8 de outubro, precedida pela exibição de Autor Desconhecido).

A Bettwurst (Die Bettwurst). Ficção, Alemanha, 1970. Direção: Rosa von Praunheim.

Curta-metragem: Autor Desconhecido (Brasil/Alemanha, 2026). Direção: Daniel Wierman e Paulo Menezes. Elenco: Bruno Fagundes, Felipe Haiut, Javi Bloemen, Omar Dagli, Fabricio Belsoff, Susana Abdulmajid, Sasha Glam, Marie Grams, Zero Pilnik, Martin Moeller.

Sinopse: Um cineasta brasileiro em Berlim decide transformar em filme a violência sexual que sofreu anos antes. Como não conhece a identidade do agressor, reencena repetidamente o encontro ocorrido em um bar. Enquanto dirige seu duplo diante das câmeras, cria versões do passado nas quais vítima e agressor trocam de lugar e a justiça assume formas absurdas. Aos poucos, porém, a encenação deixa de ser uma busca pelo homem desconhecido e se transforma em uma investigação sobre si mesmo: o que fizeram dele e o que ele ainda pode fazer com isso. Ao atravessar a vingança, a memória e a ficção, ele precisa abandonar a posição de observador para retomar a autoria de sua história.