Primeira amostra do sexto álbum solo de estúdio da trajetória fonográfica de Pitty, “Sobremesa” é aperitivo saboroso para esperar pelo disco programado para 16 de outubro. Trata-se de rock voraz, pesado e urgente que chega em gravação turbinada pela guitarra incandescente de Martin Mendonça e pela marcação firme da bateria de Nico.

Composição de autoria da própria Pitty, “Sobremesa” segue o manual do rock na produção musical orquestrada por Rafael Ramos com a própria Pitty. Tem pegada e um refrão sedutor – “Foda-se o almoço / Vamos direto para a sobremesa / Era tanta liga, certeza / Que tinha que ser no mínimo duas vezes” – que se integra naturalmente com a parte da música que o precede.
A única questão levantada por “Sobremesa” é que, embora o single se imponha como ótimo momento de Pitty se analisado de forma isolada na discografia da artista, a gravação soa quase déjà vu na cronologia da artista.
No anterior álbum solo de estúdio, “Matriz” (2019), Pitty trocou o chip e se expandiu, passando a Bahia natal pelo filtro do rock. Single gravado com o baixo de Paulo Kishimoto, mixado por Rafael Ramos no estúdio Tambor (RJ) e masterizado por Randy Merrill o Sterling Sound (New Jersey – EUA), “Sobremesa” soa como um passo atrás, como se o álbum “Matriz” não tivesse existido.
Faltou real sabor de novidade à iguaria servida por Pitty com peso e atitude nesta sexta-feira, 18 de setembro, um mês antes do lançamento do álbum “Pitty” em 16 de outubro.
Contudo, isso certamente não impedirá que o rock seja degustado pelos seguidores da cantora com a voracidade da letra altiva e quente, escrita em sintonia com a música de versos como “Aquele alvoroço na hora da fome / Jamais dispenso as entradas / Importante demorar em cada gosto / Não vou segurar mais nada que seja morno / Mеlhor nem me chamar se não for pra pеgar fogo”.
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Para quem se encantou com Pitty desde o primeiro álbum, “Admirável chip novo” (2003), “Sobremesa” é rock que vale por um banquete.
Fonte g1


