Beija-Flor vive noite ‘incorporada’ e define samba para 2027

Foto: @Shourico


A Beija-Flor definiu na madrugada desta sexta-feira, 11, o samba-enredo que levará para a Sapucaí em 2027 sobre a trajetória da pajé Zeneida Lima. O samba 13 (dos compositores Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire) foi escolhido em clima de festa, fé e misticismo para honrar a homenageada da escola nesta temporada. A obra inclui versos como “Do povo eu sou, Muiraquitã / Pajé Zeneida, soberana, campeã” e também o fortíssimo refrão “Ê! Incorpora, Caboclo! Incorpora, Caboclo! Quero ver incorporar / Do ventre do meu Pará, o pó de louro soprou / Comunidade, Caruana Beija-Flor!”. Esses e outros trechos fazem referência à trajetória de Zeneida como ativista e ambientalista no arquipélago do Marajó.

Para chegar ao resultado, a Beija-Flor analisou sambas inscritos tanto em Nilópolis, seu berço na Baixada Fluminense, quanto no Pará, terra de Zeneida. Na final, quatro obras concorreram pela chance de representar a azul e branca na Sapucaí, em busca do 16º título da agremiação. Torcidas aguerridas e criativas chegaram a levar alegorias e fantasias para a quadra na mega final, transformada num festival de música e cultura popular.

Constelação reunida por Zeneida

Para a noite de festa, iniciada ainda na quinta-feira, 10, a Beija-Flor convocou não só seus componentes e torcedores, como seus maiores ícones. Entre eles, brilharam os baluartes, que abriram a noite num espetáculo referente à apresentação realizada anteriormente na “Noite dos Enredos”, produzida em agosto pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa). Naquela ocasião, Zeneida participou presencialmente do show. Desta vez, ela acompanhou tudo do território paraense, mas deixou um recado especial.

“Minha comunidade Beija-Flor, hoje eu não estou aí com vocês. Mas as minhas energias estarão. Tenho certeza que vocês vão escolher o melhor samba”, afirmou a homenageada, num clipe exibido antes de a obra campeã ser revelada.

O presidente da Beija-Flor, Almir Reis, também mencionou a qualidade da safra deste ano, ao abrir a noite:

“Lindo ver todos aqui. Essa constelação Beija-Flor que brilha. Que Papai do Céu nos abençoe e que tenhamos uma noite extremamente abençoada. Vamos escolher um grande hino hoje para nos representar na Sapucaí”, disse.

Estrelas veteranas e jovens talentos marcaram a noite, formando um celeiro de bambas no coração de Nilópolis. Entre elas, estavam ícones como Pinah; Neguinho da Beija-Flor; Soninha Capeta, Raissa Oliveira e o casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso. Quadros mais recentes, Jessica Martin e Ninno do Milênio, intérpretes da Beija-Flor, fizeram parte de belos momentos da noite: cantaram para saudar Zeneida e Nossa Senhora de Nazaré, a Nazinha, de quem ela é devota. O ator Samuel de Assis também integrou o ato, vocalizando uma prece pela padroeira do Pará.

A quadra lotada mobilizou, junto dos nilopolitanos, sambistas de todas as matizes dedicados ao legado de Zeneida. A lista incluiu, por exemplo, as rainhas de bateria da Mangueira (Evelyn Bastos), da Mocidade (Gaby Mendes) e da União de Maricá (Rayane Dumont). Outros grandes nomes chamaram atenção, como Giovanna Lancellotti (que é destaque da Beija-Flor), Pedro Scooby, Lívia Andrade, Milton Cunha, entre outros: uma legião de apaixonados pela Deusa da Passarela.

Em 2027, a Beija-Flor desfila no Domingo de Carnaval (a segunda da noite) com o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, em parceria com os pesquisadores Bruno Laurato, Guilherme Niegro e Vivian Pereira.