A continuidade do contrato de Rodrigo Bocardi com o SBT é vista como praticamente impossível. A coluna apurou que a emissora já está preparando o terreno para anunciar a rescisão unilateral do contrato com o apresentador, que estreou há apenas 39 dias em um jornalístico no início do horário nobre. A rede já pediu para que suas afiliadas suspendam todo o material publicitário que tinha a imagem do comunicador, até então visto como uma grande aposta do canal.

Fontes da reportagem bem posicionadas na estrutura do SBT garantem que a permanência de Bocardi na empresa ficou insustentável depois da transmissão ao vivo feita por ele no final da tarde desta quinta-feira (10). Enquanto o SBT Cidades estava no ar, ele usou seu canal nas plataformas digitais para fazer queixas da emissora, citando salários baixos — sobre a saída de Carol Lekker — e uma predileção da rede por notícias policiais, dizendo não ter vocação para a editoria.
Rodrigo Bocardi causa incômodo com contratos
Além das fortes declarações contra a sua própria empregadora, a cúpula da rede foi surpreendida com a confissão pública de Rodrigo Bocardi sobre acordos de publicidade e propaganda de prefeituras da Grande São Paulo. Para o SBT, há um claríssimo conflito de interesses do jornalista: como alguém pode ser isento se tem contratos de gerenciamento de crise (ele diz que as prefeituras que o contrataram recebem reclamações antecipadamente) com determinadas cidades?
A denúncia feita por Jones Donizette, ex-secretário de Tecnologia e Comunicação de Embu das Artes, apenas acelerou o processo de desgaste do apresentador com a cúpula da emissora. Bocardi não fazia questão alguma de disfarçar seu descontentamento com a proibição de divulgar a BocaTV, contrariando o que havia sido originalmente pactuado entre as partes. O veto, no entanto, não teve relação alguma com os supostos esquemas de chantagem contra prefeituras.
Rodrigo Bocardi, por sua vez, nega qualquer tipo de esquema ilegal com prefeituras. Ele diz que a sua relação com os governos regionais é pautada pela legalidade, com agências de publicidade servindo de intermediadoras, como em quaisquer outras negociações governamentais com veículos de comunicação. O comunicador, que diz que só voltará ao ar no SBT “se quiser”, terá uma reunião com a cúpula da emissora nesta sexta-feira (11).
A coluna apurou com fontes próximas ao apresentador que há uma grande chance de que a iminente rescisão de contrato com o SBT termine nos tribunais, tal qual aconteceu em sua saída da TV Globo, em janeiro de 2025. Na ocasião, a emissora quebrou um antigo tabu, afirmando publicamente que o apresentador do Bom dia São Paulo “violou normas éticas” da empresa, que o demitiu por justa causa — Bocardi, que passou anos como PJ, havia sido celetizado previamente.
Fonte iG

