Mestre-sala e Porta-bandeira da Mangueira representam o Casal do Dendê em editorial

Enredo “Oyá por nós”


Antes de chegar à Marquês de Sapucaí, o Carnaval 2027 da Estação Primeira de Mangueira começa a ganhar forma. Pela primeira vez, a Verde e Rosa realiza um editorial inspirado no “Casal do Dendê”, dando protagonismo à porta-bandeira Cíntya Santos e ao mestre-sala Matheus Olivério. O ensaio parte da força de Xangô e Iansã para apresentar algumas das primeiras pistas estéticas de “Oyá por Nós”, enredo com o qual a escola vai celebrar Iansã no próximo desfile.

No editorial, ancestralidade e Carnaval se encontram para traduzir, através dos corpos, movimentos, tecidos, formas, luz e sombras, a potência de uma divindade associada aos ventos, às tempestades e às transformações. Sem revelar os segredos que permanecem guardados para a avenida, as imagens funcionam como uma espécie de prólogo visual do que a Mangueira está construindo para 2027.

Cíntya e Matheus deixam o cenário tradicionalmente associado ao bailado de mestre-sala e porta-bandeira para assumir o protagonismo de uma narrativa. A proposta é explorar a presença e a força estética do casal para além da dança, transformando-os em personagens de uma história que dialoga diretamente com o enredo.

Conhecidos como ‘Casal Furacão’, a dupla incorpora referências de Xangô e Iansã, estabelecendo uma conexão entre a identidade construída pelo casal e o universo deste potente orixá que atravessará o próximo Carnaval mangueirense. A produção aposta na imagem como linguagem para falar de ancestralidade, movimento, força e beleza.

Como porta-bandeira da Estação Primeira de Mangueira, Cintya Santos destaca a emoção e a responsabilidade de representar o Casal do Dendê, levando para a avenida a força simbólica de Xangô e Iansã. Para ela, a participação é também uma forma de reverenciar a ancestralidade e reafirmar o vínculo com a comunidade verde e rosa, em uma apresentação marcada por axé, identidade e orgulho.

“É com o coração transbordando de orgulho que compartilho a emoção de representar o Casal do Dendê na minha amada Estação Primeira de Mangueira. Evocando a energia, a justiça e o movimento de Xangô e Iansã, é um compromisso que assumo com toda a minha alma, com respeito aos que vieram antes e à comunidade que me acolhe. O dendê ferveu, o corpo arrepiou e a Verde e Rosa vai passar cheia de axé e poder”, celebra a porta-bandeira da Estação Primeira.

Para Matheus Oliverio, representar Xangô durante o ensaio da Estação Primeira de Mangueira é a força da ancestralidade e da cultura afro-brasileira por meio do samba. Símbolo de justiça, força e equilíbrio, o orixá ganha espaço na construção artística do trabalho e reforça a proposta de valorizar as raízes e a espiritualidade que atravessam a história da comunidade verde e rosa.

“A Mangueira acredita que cada movimento, cada gesto e cada expressão carregam história, cultura e ancestralidade. Xangô simboliza a justiça, a força e o equilíbrio, e trazer essa energia para esse trabalho foi uma forma de homenagear a riqueza das tradições afro-brasileiras e mostrar que o samba também é um espaço de resistência, identidade e espiritualidade. Espero que quem assistir possa se conectar com a beleza da nossa cultura e compreender a importância do nosso enredo em preservar e valorizar nossas origens”, pontua o mestre-sala.

O projeto também sinaliza um movimento da Mangueira de expandir a narrativa de seu Carnaval para outros territórios criativos. Moda, fotografia e cultura afro-brasileira passam a funcionar como extensões da história que será contada na Sapucaí.

Segundo a direção da Escola, os mesmos figurinos também serão utilizados na Noite dos Enredos, evento promovido pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que apresenta um musical desenvolvido a partir dos personagens. A proposta é inserir o Casal do Dendê na construção narrativa e temática da escola, reforçando sua participação na história que será levada à avenida durante o Carnaval.

O editorial chega ainda como uma provocação para quem já tenta decifrar o que a Verde e Rosa prepara para 2027. Se o desfile continua guardado entre os segredos do barracão, Cíntya Santos e Matheus Olivério ajudam a abrir uma primeira fresta desse universo.