Mia Couto fala sobre criar histórias e a força da língua portuguesa

A língua portuguesa ganha novas palavras, ritmos e formas de expressão na obra do escritor moçambicano Mia Couto, marcada pela oralidade e pela recriação da linguagem. O autor conversou, na última terça-feira (15/9),  com a diretora do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), Ana Paula Delgado, e a chefe de gabinete da Direção, Roberta Celli Moreira de Araújo, no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves, em encontro promovido pelo programa Do Direito à Literatura.

Escritor Mia Couto esteve em evento promovido pelo programa Do Direito à Literatura – Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ 

Mia Couto abordou a diversidade cultural de Moçambique, a amplitude da língua portuguesa e o contar histórias como algo essencial à vida. Para ele, tudo que é vivo pode se transformar em história e a literatura tem o poder de fantasiar o mundo.

“A literatura não tem propriamente uma função concreta. Ela existe um pouco por si própria porque nós contamos histórias. Basicamente, é porque desde criança a gente conta e escuta histórias”, afirmou.

Vencedor do Prêmio Camões de 2013 e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras (ABL), o autor tem mais de 30 livros publicados, entre eles Terra SonâmbulaUm Rio Chamado TempoUma Casa Chamada Terra e O Último Voo do Flamingo. Em sua produção, a língua portuguesa é também espaço de criação, incorporando diferentes formas de expressão e modos de perceber o mundo.

Autor conversou com a diretora do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), Ana Paula Delgado, e a chefe de gabinete da Direção, Roberta Celli Moreira de Araújo – Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ 

Mia Couto destacou a importância do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), por meio do CCPJ, em abrir espaço para a literatura e refletiu sobre como o sentimento de Justiça nasce desde que tomamos consciência de nós mesmos. Para o escritor, o processo de escrever é também um exercício de habitar a identidade do outro, não escrever apenas de si, mas viajar para dentro de outras histórias e perspectivas.

“Se a gente reproduz a ideia de que não há solução, de que não há saída, os nossos filhos e os nossos netos vão pensar que não vão poder mudar a realidade. Eu comecei a criar histórias porque era preciso inventar histórias, encontrar no outro uma história”, afirmou.