ICMBio e Secretaria de Meio Ambiente e Clima soltam cachorro-do-mato e macaco-prego no Parque Nacional da Tijuca

Foto: Luciana Sposito


O ICMBio e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC), com
o apoio da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá (CRAS Unesa), realizaram,
em conjunto, a soltura de um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) e de uma fêmea de macaco-prego (Sapajus
nigritus) no Parque Nacional da Tijuca, nesta quinta-feira (20/08). Esta soltura encerra um ciclo que começa com o
resgate de animais encontrados feridos ou em situação de risco, passa pelo atendimento veterinário, pela
recuperação e termina, quando possível, com o retorno à natureza.

O cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um macho adulto e de comportamento selvagem, mas que foi atropelado
na Estrada das Canoas, em São Conrado, em abril deste ano. Ele foi resgatado no dia 9 daquele mês por um policial
militar que passava pela via, em uma área muito próxima dos limites do Parque, de onde o cachorro saiu para fazer
uma travessia. De lá, foi levado pelo policial para a CRAS Unesa, em Vargem Pequena, na Zona Sudoeste, onde
recebeu tratamento sob os cuidados do veterinário Jeferson Pires, devido à fratura na pata dianteira esquerda,
atingida no atropelamento. Já a fêmea de macaco-prego foi resgatada na Floresta da Tijuca e chegou ao CRAS Unesa
com traumatismo craniano, em julho deste ano. Desde então, permaneceu sob os cuidados da equipe veterinária
da clínica até estar completamente recuperada e apta a retornar à natureza.

Com a recuperação completa dos dois animais, o CRAS acionou a Patrulha Ambiental da SMAC, que é responsável
tanto por resgates quanto pelas solturas de animais silvestres na cidade do Rio de Janeiro. Essas espécies já viviam
dentro do Parque, onde encontravam proteção e alimentos justamente por ser uma área ambiental protegida
dentro da cidade. A secretaria, então, fez contato com o ICMBio, que é o gestor do Parque Nacional da Tijuca, para
pedir autorização para a soltura.

O agente de fiscalização do ICMBio Gleidson Corrêa reforçou a importância de motoristas redobrarem a atenção
nas vias próximas às áreas verdes da cidade. “Essa é uma oportunidade para pedir mais atenção aos motoristas que
circulam nas vias próximas a áreas verdes. Respeite o limite de velocidade dessas áreas para diminuir o número de
atropelamentos de animais. Isso foi o que machucou o cachorro-do-mato. Os visitantes das Unidades de
Conservação também ajudam quando não alimentam os bichos. Se os animais se mantêm ariscos, eles ficam longe
das pessoas, que é o mais seguro para eles”.

A engenheira agrônoma Mariana Ribeiro, gerente da Patrulha Ambiental da SMAC, explicou que a soltura segue
uma série de cuidados para garantir que os animais estejam em condições de voltar à natureza.
“Fizemos a reintrodução na natureza de dois animais nativos. Para isso, precisamos de um laudo veterinário
atestando que eles estão aptos para a soltura. A SMAC e o ICMBio trabalharam em conjunto para providenciar toda
a documentação necessária. Como a soltura foi realizada em uma área sob administração federal, os laudos
também são encaminhados ao Instituto”.

Soltura exige autorização e cuidados específicos

De acordo com o ICMBio, a exemplo da soltura em conjunto de hoje, a coordenação e a comunicação entre os
diferentes órgãos e instituições é fundamental para que histórias desse tipo tenham sucesso do início ao fim. Seguir
protocolos garante o procedimento correto de soltura e evita que ocorram liberações sem autorização, e, assim,
diminui as chances de problemas como a entrada de espécies exóticas ou de animais que estejam domesticados.
Além disso, é importante ressaltar o contexto que levou esses animais para a clínica de tratamento: atropelamento
e traumatismo craniano. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, que possui duas das maiores florestas urbanas do
mundo (o Parque Estadual da Pedra Branca e o Parque Nacional da Tijuca), além de dezenas de áreas naturais
municipais, a atenção precisa ser redobrada ao trafegar com veículos perto de áreas verdes. Regiões como o Alto
da Boa Vista, São Conrado e Paineiras são locais onde o cuidado dos motoristas tem que ser ainda maior.

Abaixo, dicas e cuidados importantes:

• Dentro do Parque Nacional da Tijuca, ninguém está autorizado a soltar animais (sejam nativos ou não) sem
avaliação e sem autorização prévia do ICMBio. Essa medida evita diversos problemas, dentre eles, a soltura
de espécies exóticas ou que estejam com alguma doença, o que pode contaminar a fauna saudável dentro
do Parque.

• ONGs e instituições de apoio e proteção a animais silvestres também precisam pedir autorização e cumprir
o mesmo procedimento da Prefeitura do Rio, caso queiram liberar espécies dentro do parque

• O animal precisa estar com seu comportamento selvagem mantido. Caso esteja com sinais de
domesticação, a soltura, em vez de ajudar, coloca em risco a sobrevivência dele na mata. Quando casos
assim são identificados, em vez de soltar, a medida mais adequada é o encaminhamento para os chamados
Centro de Triagem de Animais Silvestres.

• Existe diferença entre soltura e reintrodução de animais. O primeiro caso é uma ação de manejo pontual,
focada no bem-estar e retorno de um indivíduo à natureza; já a reintrodução visa restaurar interações
ecológicas perdidas em um ecossistema porque uma determinada espécie foi extinta localmente. É uma
estratégia de biologia da conservação conhecida também como refaunação. As duas iniciativas ocorrem no
Parque Nacional da Tijuca.