Canetas para emagrecimento mudam o perfil dos pacientes que buscam rejuvenescimento facial

Dra. Danielle Gondim


O avanço das chamadas canetas para emagrecimento está produzindo um efeito que começa a ganhar espaço nos consultórios de cirurgia plástica facial. Após a perda acelerada de peso promovida por medicamentos à base de agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, cresce o número de pacientes que relatam aparência mais envelhecida, flacidez e perda de volume no rosto. O tema passou a ser discutido por sociedades médicas internacionais e por publicações científicas que descrevem o fenômeno conhecido popularmente como “Ozempic Face”, associado principalmente ao emagrecimento rápido e não a um efeito direto do medicamento.

Para a cirurgiã plástica facial Dra. Danielle Gondim, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), muitas pessoas alcançam o peso desejado, melhoram indicadores de saúde e autoestima, mas passam a perceber um contraste entre o corpo mais magro e um rosto que aparenta maior envelhecimento. A trajetória profissional e a atuação da médica são voltadas à cirurgia plástica facial, com foco em técnicas de rejuvenescimento profundo e preservação da identidade facial.

“O emagrecimento é extremamente positivo quando existe indicação médica, mas a face também perde gordura. Ela funciona como uma estrutura de sustentação natural e, quando essa perda acontece de forma intensa e em pouco tempo, algumas pessoas passam a notar sulcos mais profundos, flacidez e aspecto cansado. O objetivo não é devolver um rosto artificial, mas recuperar equilíbrio e naturalidade”, afirma Danielle.

A preocupação tem fundamento científico. A Academia Americana de Dermatologia explica que pacientes em uso de medicamentos da classe dos GLP-1 frequentemente observam redução do volume facial, maior flacidez e rugas mais aparentes após perdas importantes de peso. A entidade ressalta que essas alterações decorrem principalmente da velocidade do emagrecimento e da redução dos compartimentos de gordura da face, embora estudos recentes também investiguem possíveis efeitos sobre colágeno e musculatura.

O rosto muda antes do restante do corpo

A especialista explica que a face costuma evidenciar rapidamente qualquer perda significativa de gordura corporal. Regiões como maçãs do rosto, têmporas, mandíbula e área ao redor dos olhos são as que mais costumam sofrer alterações, modificando contornos e expressões.

“Nem todo paciente precisará de cirurgia. Em alguns casos, pequenas intervenções são suficientes. Em outros, principalmente quando existe excesso de pele associado à perda de sustentação, a cirurgia oferece um resultado mais duradouro e proporcional. O mais importante é entender que cada rosto responde de maneira diferente ao emagrecimento”, explica a cirurgiã.

O desafio é preservar identidade após a perda de peso

Para a médica, o debate também representa uma mudança na forma como o rejuvenescimento facial é encarado. Em vez da busca por transformações estéticas marcantes, cresce a procura por abordagens capazes de restaurar proporções faciais preservando características individuais.

“A maior preocupação dos pacientes hoje não é parecer outra pessoa. Eles querem que a imagem acompanhe a melhora física conquistada durante o processo de emagrecimento. O rosto continua sendo parte importante da identidade e merece ser tratado com o mesmo cuidado que dedicamos ao restante do corpo”, afirma.

Danielle ressalta que a decisão entre procedimentos minimamente invasivos e cirurgia deve ser individualizada e baseada em avaliação médica detalhada. A indicação depende da quantidade de pele, da perda de volume, da qualidade dos tecidos e das expectativas de cada paciente. “Não existe uma solução única. O planejamento personalizado é o que permite alcançar resultados naturais, respeitando a anatomia e a história de cada pessoa”, conclui.

O que o paciente deve considerar antes de decidir

Para Danielle, a primeira recomendação é não tomar decisões motivadas apenas pelo desconforto com a aparência após o emagrecimento. Segundo ela, a avaliação médica deve acontecer quando o peso já estiver estabilizado, pois oscilações importantes podem comprometer o planejamento e os resultados de qualquer tratamento facial.

“Quem emagreceu recentemente e percebeu mudanças no rosto não deve buscar uma solução padronizada. É preciso entender se existe apenas perda de volume, flacidez, excesso de pele ou uma combinação desses fatores. A partir dessa análise, é possível definir se o melhor caminho é acompanhar a evolução, realizar procedimentos menos invasivos ou indicar uma cirurgia. Cada caso exige uma estratégia diferente”, afirma.

A especialista acrescenta que o objetivo não deve ser recuperar o rosto que a pessoa tinha antes do emagrecimento, mas alcançar uma aparência compatível com a nova fase do corpo, preservando características individuais e evitando excessos.