Música e tradições culturais em Copacabana

Sandro Luiz


Maior ato inter-religioso do Brasil transforma a orla em palco de fé, resistência e celebração plural no dia 20 de setembro – Com a 19ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

Copacabana receberá representantes de diferentes tradições, manifestantes vindos de várias partes do Brasil e uma ampla programação cultural. Durante todo o percurso, o público acompanha manifestaçõesque misturam música, dança, canto, religiosidade e cultura popular. Grupos de diferentes tradições levam para a avenida seus símbolos, roupas, instrumentos, coreografias e cantos, transformando o trajeto em um grande cortejo de diversidade.

Consolidada ao longo de quase duas décadas, se tornou um símbolo da convivência entre religiões. Organizada pelo Comitê Inter-religioso de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e CEAP (Centro de Articulaçãode Populações Marginalizadas a mobilização reúne representantes de praticamente todas as tradições religiosas em torno de uma mesma bandeira: o respeito à fé do outro, à diversidade e ao Estado laico.

Ao longo de 19 edições, cerca de 1,8 milhão de pessoas já passaram por Copacabana para participar do ato. Vindos de diferentes estados brasileiros, os participantes incluem lideranças religiosas, famílias,jovens, artistas, movimentos sociais e grupos culturais, fazendo da Caminhada um encontro nacional de culturas e crenças.

Entre as atrações estão as tradicionais Folias de Reis, presença aguardada e apreciada pelo público ao longo das edições. 17 grupos, oriundos de diferentes bairros e municípios do Rio de Janeiro,que mantêm viva uma manifestação popular marcada por música, fé, dança e cortejo. Com suas cores vibrantes, mestres, músicos, cantadores e dançarinos, as folias vão tocar, cantar e dançar ao longo do percurso.

Participam a Estrela do Oriente, de Guapimirim, com o mestre Joãozinho; Jornada Milagres de Jesus, de Magé; Jornada Sempre Viva do Oriente, de Mesquita; Folia de Reis Estrela do Oriente, de Guapimirim;Jornada Estrela da Matutina, de Inhoaíba; Jornada Irmandade Divina Luz, de Duque de Caxias; Jornada Flor Mirim do Oriente, de Piabetá, Magé; Reisado Flor do Oriente, de Vila Rosário; Jornada Manjedoura Mirim do K11, de Nova Iguaçu; Folia de Reis Nova Aurorado Oriente, do Parque Estrela, em Magé, com o mestre Juninho; Jornada Manjedoura de Bem, de Queimados; Reisado Filhos da Flor, de Vila Rosário; Nova Aurora do Oriente, do Parque Estrela, em Magé; Reisado Anjos do Oriente, de Nova Marília, em Magé; JornadaManjedoura de Belém, de Campo Grande; Jornada Mirim Divino Espírito, de Inhoaíba; e o mestre Marcelo Marques, o Bilu, da Tijuca.

A programação também ganha a força dos grupos afro, expressões da cultura negra, da música, da dança e da ancestralidade. Participam Tafaraogi, de Realengo; Muvuca, de Minas Gerais; Ore Lailai,de Duque de Caxias; Orunmila, da Lapa; Lemi Ayo, do Jardim Bangu; Afro Açaí, de Nova Iguaçu; Filhas de Gandhi, do Centro; e Marcha Bomba, de Nova Iguaçu.

Marquinhos de Oswaldo Cruz: samba como memória e resistência – Às 15h, o samba toma conta com a participação de Marquinhos de Oswaldo Cruz, em uma apresentação que traduz a ligação histórica entrecultura popular, território e ancestralidade. Marquinhos é um dos grandes articuladores da cultura popular carioca e um nome fundamental na preservação do samba de raiz. Nascido em Madureira e criado em Oswaldo Cruz, construiu sua trajetória a partir das tradiçõesde seu território e transformou cultura em instrumento de memória e pertencimento.

Sua relação com a causa da liberdade religiosa não é pontual. Marquinhos sempre apoiou a Caminhada e faz questão de estar presente, levando para a avenida aquilo que melhor representa sua trajetória:o samba, suas histórias e seus clássicos. Sua presença reforça ainda a conexão entre a luta contra a intolerância e a valorização das culturas negras e populares. Criador do Trem do Samba, realizado desde 1996 em celebração ao Dia Nacional do Samba, Marquinhostambém está à frente da Feira das Yabás, em Oswaldo Cruz, iniciativa que reúne gastronomia, música e ancestralidade negra. Como compositor, tem obras gravadas por grandes nomes da música brasileira, como Beth Carvalho, além de trabalhos autorais como o álbum Agbo Ato.

Sandro Luiz encerra a programação no palco – Por volta das 15h30, vindo de São Paulo, o palco recebe Sandro Luiz, que fecha a grade de apresentações.

Cantor, sacerdote e dirigente de Umbanda, Sandro Luiz é reconhecido por sua atuação na música e na difusão da cultura afro-brasileira. Sua trajetória está diretamente ligada aos Pontos Cantados, manifestaçõesmusicais que fazem parte da tradição umbandista e que evocam, por meio do canto, as energias e os elementos simbólicos da religião.

Na Caminhada, sua apresentação ganha ainda outro significado: é a primeira participação de Sandro Luiz no evento e representa, para o artista, a oportunidade de ocupar a avenida com música, ancestralidadee espiritualidade.

“É um momento de muita importância para mim, não apenas como cantor, mas principalmente como sacerdote de Umbanda. Estar aqui é reafirmar que toda fé merece respeito, que nenhuma pessoa pode ser perseguidapela sua crença e que combater a intolerância religiosa é responsabilidade de toda a sociedade. Para nós, povos de terreiro, ocupar esse espaço com nossa música, nossa cultura, nossa ancestralidade e nossa espiritualidade também é um ato de resistência, dedignidade e de liberdade. Que essa caminhada continue abrindo caminhos para um Brasil onde todas as religiões possam existir, celebrar e expressar sua fé sem medo.”

No repertório, Sandro Luiz apresenta “O Rei das Matas”, “Ela é Oyá” e “Um Presente dos Orixás”, entre outros momentos de sua trajetória musical.  Mais do que uma sequência de apresentações, a programaçãocultural revela a própria essência do movimento. Do samba às folias, dos pontos cantados aos cortejos religiosos, das danças afro às manifestações de grupos ciganos e de outras tradições, a avenida se transforma em um território de convivência.

É essa combinação de manifestação e celebração que faz da Caminhada um ato singular: um movimento de resistência que também é festa, encontro e expressão cultural.

19ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

  • Local: Orla de Copacabana Dia: 20 (domingo) de setembro
  • Das 10h às 17h
  • Concentração no Posto 5, a partir das 10h – Avenida Atlântica, pista de lazer, em frente aos números 3.628 e 3.604,esquina com a Rua Sá Ferreira.
  • Saída da Caminhada, a partir das 12h
  • Segue até Praça do Lido, finalizando às 17h
  • Com shows e apresentações no decorrer do trajeto
  • Local da dispersão: Pista de lazer no Posto 2
  • Contará com trios elétricos, tendas, banheiros químicos, aguadeiros, ambulância UTI / posto médico, carrinhos elétricos:Canteiro Central da Avenida Atlântica, Posto 5, em frente aos prédios de número 3.628 e 3.604

·         Marquinhos de Oswaldo Cruz – às 15h

·         Sandro Luiz – Por volta das 15h30

·         Folia de Reis e Grupos Afros se apresentam no decorrer da caminhada