Gêmeas siamesas que nasceram unidas pelo crânio são separadas após quatro cirurgias

Casos de gêmeos siameses são raros: foram pouco mais de 500 nascimentos, nos últimos 11 anos, no Brasil. E as cirurgias para separar irmãos que vieram ao mundo unidos são uma jornada complexa e comovente.

Neste último domingo (22), o programa da TV Globo, Fantástico, exibiu o primeiro episódio da série “Vidas” a história da Allana e da Mariah. As gêmeas siamesas nasceram unidas pelo crânio e passaram por quatro cirurgias até se separarem por completo.

“Para mim foi um choque. Assim, quando eu vi, porque eu não imaginava o grau da união delas, eu sabia que elas eram unidas mas eu não imaginava o quanto […] Allana e a Mariah ensinam a gente muito. A gente foi se adaptando junto com elas”, conta a mãe.

Quando elas são unidas pela cabeça, elas são chamadas de craniópagas. É o caso das filhas da Talita Cestari e do Vinícius. Ela, professora, 27 anos. Ele, frentista, 26. Sabiam que na pequena Piquerobi, cidade do interior de São Paulo com menos de 4 mil habitantes, não haveria atendimento especializado para as meninas.

Com a ajuda de vaquinhas feitas pelos moradores da cidade, eles se mudaram, temporariamente, para Ribeirão Preto, a quase 500 quilômetros de distância; e buscaram o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, que era referência nesse tipo de tratamento. Os médicos do HC foram dando suporte, assim como fizeram com outras irmãs atendidas no hospital em 2018.

“É a raridade da raridade. Ao longo da minha carreira, eu nunca tinha tido um outro caso como esse”, conta o médico Hélio Machado.

Allana e Mariah nasceram unidas pelo crânio

Cirurgias

Foram ao todo quatro cirurgias, no período de 12 meses, até as cabeças de Allana e Mariáh se separarem por completo.

As gêmeas estavam com dois anos e nove meses. Os médicos entraram na sala de cirurgia às 6h30 do dia 19 de agosto e deixaram o centro cirúrgico às 9h30 do dia seguinte, depois de 27 horas ininterruptas de trabalho.

“Você separa as veias progressivamente, porque você dá tempo para o cérebro se acostumar, recuperar”, explica o médico.

Técnica inédita

O processo de reconstrução dos crânios das gêmeas contou uma técnica inédita. Na penúltima cirurgia, os médicos retiraram células-tronco da bacia das meninas. Essas células passaram por um processo super rigoroso de seleção no hemocentro de Ribeirão Preto. Depois, foram trazidas para tanques de nitrogênio líquido, onde ficaram a uma temperatura de −196 graus durante 4 meses. Só saíram para serem usadas na última cirurgia de separação de Allana e Mariah.

“O biomaterial é colocado entre os ossos, como se fosse um rejunte de um piso. Melhora a circulação, diminui a inflamação. Porque ela tem um efeito anti-inflamatório potente. Nós estamos sendo pioneiros nessa nesse de técnica”, destaca o cirurgião plástico.

Allana e Mariah nasceram unidas pelo crânio

Alta

“Ao final de 3 semanas, foi surpreendente para nós, porque elas começaram a se comunicar, a falar”, destaca a pediatra.

Depois de 52 dias da última cirurgia, elas estavam prontas para alta. Talita e Vinícius deixaram o hospital com as duas filhas nos braços, na véspera do dia das crianças.

Embaixo dos curativos, que ainda vão ficar por um tempo na cabecinha delas, já tem cabelo crescendo. Mariáh está com a evolução um pouco mais atrasada que a da Allana. As duas ainda tem um longo tratamento a seguir.

O Fantástico foi exibido, ontem, 22 de outubro, na TV Globo.

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