Visto americano: novas regras combatem fraudes e imigração ilegal

Visto americano


As recentes mudanças nos procedimentos de imigração e vistos para os Estados Unidos geraram desinformação na internet. Relatos de um suposto fechamento de fronteiras assustaram viajantes, mas o cenário real passa longe do pânico propagado. A avaliação é de Charles Mendlowicz, economista, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero. Residente nos Estados Unidos após obter o green card por habilidades extraordinárias, ele aponta que as medidas buscam organizar o sistema.

“Se você quer vir para conhecer a Disney, visitar Nova York, se quer estudar, não tem problema nenhum. É preciso ter cuidado com o alarmismo, com a desinformação. O que aconteceu não foi uma questão de ‘barrar’, mas sim de organizar um sistema que estava com problemas”, explica Mendlowicz.

EUA realizam “pente-fino” nos vistos e pedidos de asilo

O governo americano anunciou recentemente medidas de endurecimento. A primeira suspende temporariamente decisões sobre residência e autorizações de trabalho para novas verificações de segurança. A segunda exige que solicitantes de vistos de não imigrante declarem que não temem perseguição em seus países de origem. A exigência visa coibir distorções no uso de prerrogativas humanitárias.

“Nos Estados Unidos há um tipo de visto que se você é perseguido no seu país, você pode pedir um asilo. Muitos brasileiros fizeram isso sem ser perseguidos no Brasil, por exemplo. O objetivo das novas medidas é justamente frear o fluxo descontrolado registrado em anos anteriores”, conta o economista.

Novas regras para estudantes

O visto de estudante passou por ajustes para evitar que o benefício educacional seja usado como via de imigração irregular. Pelas novas diretrizes anunciadas ontem (16), o estudante terá prazo de permanência fixado em quatro anos e, ao final do período, precisará pedir uma prorrogação do visto ao Departamento de Segurança Interna, ou deixar os Estados Unidos e entrar novamente para obter uma nova admissão.

“Muita gente tirava o visto de estudante e ficava nos Estados Unidos além do prazo inicial. Agora, após quatro anos, quem quiser ficar mais tempo terá que prestar contas, mostrar que está estudando de verdade. A medida foi necessária devido aos diversos casos de pessoas que tiravam visto de estudante mas tinham como real objetivo trabalhar”, comenta Charles Mendlowicz.

Criadores de conteúdo entraram na mira da fiscalização

A fiscalização se intensificou sobre criadores de conteúdo, impulsionada pela realização da Copa do Mundo. Entrar com visto de turista e monetizar vídeos ou realizar publicidades em solo americano virou alvo do serviço de imigração.

“O governo americano confirmou: influenciador estrangeiro que entrar com visto de turista e monetizar conteúdo pode ser deportado na hora. Se você está gravando coisas pessoais, não tem risco. Se está gravando para monetizar, o risco é alto”, alerta Mendlowicz. O visto correto para essa atividade é o O-1, de habilidades extraordinárias.

Para quem deseja fazer turismo ou estudar conforme a lei, as portas continuam abertas. “Haverá mudanças, mas se a pessoa quiser ir para os Estados Unidos como estudante, basta estudar de verdade que ficará tudo bem. Se quiser ir para a Disney, que vá como turista e retorne para casa após o passeio. Só tem que acompanhar o dólar e se programar para aproveitar o melhor de cada experiência”, conclui o Economista Sincero.

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