Rosto em carne viva de Virginia
A decisão da influenciadora Virgínia Fonseca, de 27 anos, de realizar um tratamento para estimular colágeno e melhorar a firmeza da pele trouxe novamente à discussão uma dúvida comum entre quem acompanha o universo da estética: existe idade certa para começar um rejuvenescimento facial? A resposta, segundo especialistas, é não. Cada vez mais, a medicina tem substituído o conceito de idade pelo de indicação individual, levando em conta fatores como genética, qualidade da pele, estrutura facial e expectativas do paciente.
Essa mudança acompanha uma tendência mundial. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que foram realizados mais de 34,9 milhões de procedimentos estéticos em todo o mundo no último levantamento da entidade, refletindo uma procura crescente por tratamentos que preservam a aparência natural e retardam os sinais do envelhecimento.
Para a Dra. Danielle Gondim, cirurgiã plástica formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e especialista em rejuvenescimento facial, o principal erro é acreditar que existe uma idade ideal para iniciar qualquer procedimento.
“A idade cronológica é apenas um dos fatores que analisamos. Existem pacientes jovens que apresentam alterações genéticas, como excesso de pele nas pálpebras ou perda precoce de sustentação facial, enquanto outras pessoas chegam aos 50 anos com excelente qualidade dos tecidos. A indicação deve ser baseada na anatomia da face e não apenas na idade”.
Cirurgia não é mais o último recurso
Durante muitos anos, a cirurgia facial ficou associada a pacientes acima dos 45 ou 50 anos, quando a flacidez já era bastante evidente. Segundo Danielle, esse conceito vem mudando conforme as técnicas evoluíram e passaram a priorizar resultados mais naturais.
“A cirurgia deixou de ser encarada como um último recurso. Hoje ela também pode fazer parte de um planejamento do envelhecimento, quando existe indicação. Em muitos casos, tratar a causa da flacidez mais cedo produz um resultado mais harmônico do que tentar compensar essas alterações durante anos apenas com procedimentos volumizadores”.
Segundo a especialista, isso não significa que toda pessoa deva operar jovem, mas que a avaliação médica individual é capaz de identificar qual abordagem faz mais sentido em cada fase da vida.
Quando a cirurgia passa a ser mais vantajosa que botox e preenchimento
Danielle explica que botox, bioestimuladores e preenchimentos continuam sendo excelentes aliados quando bem indicados. O problema surge quando essas técnicas passam a ser utilizadas para resolver alterações estruturais que já não respondem aos procedimentos minimamente invasivos.
“O botox previne e suaviza rugas de expressão e preenchimento repõe volume em áreas específicas. Já a cirurgia reposiciona músculos, gordura e ligamentos que sofreram deslocamento com o envelhecimento. São tratamentos diferentes e complementares, não concorrentes”.
Ela observa que muitos pacientes acabam realizando aplicações sucessivas de preenchedores durante anos para tentar sustentar tecidos que perderam sua posição natural.
“Chega um momento em que adicionar mais volume não significa rejuvenescer. Em alguns casos, o excesso de preenchimento pode até modificar as características naturais do rosto. A cirurgia trata justamente a estrutura profunda da face, preservando identidade e expressão”.
Resultados mais duradouros
Outro fator que tem levado pacientes a considerar a cirurgia mais cedo é a durabilidade dos resultados.
Enquanto o botox normalmente exige reaplicações entre quatro e seis meses e os preenchedores precisam de manutenção periódica, o rejuvenescimento cirúrgico oferece resultados que permanecem por muitos anos, embora o processo natural de envelhecimento continue acontecendo.
“A cirurgia não interrompe o envelhecimento, mas reposiciona a face para uma condição mais jovem. Depois disso, o paciente continua envelhecendo naturalmente, sem depender de reaplicações frequentes para manter o resultado”.
Recuperação também mudou
Outro tabu, segundo Danielle, está relacionado ao pós-operatório. As técnicas atuais são bastante diferentes dos liftings faciais realizados décadas atrás.
“O objetivo não é esticar a pele. As técnicas modernas atuam nas camadas profundas da face, reposicionando os tecidos sem criar tensão excessiva. Isso proporciona um aspecto muito mais natural e uma recuperação mais confortável quando comparada às técnicas antigas”.
Além da recuperação mais previsível, Danielle destaca que a cirurgia passou a ser encarada como uma alternativa para evitar o acúmulo de procedimentos ao longo dos anos. Em pacientes com indicação cirúrgica, um único procedimento pode proporcionar um rejuvenescimento global da face, enquanto aplicações repetidas de botox e preenchimento exigem manutenção frequente e nem sempre conseguem tratar a causa da flacidez.
Para a especialista, casos como o de Virgínia ajudam a ampliar uma discussão importante: cuidar da face precocemente não significa necessariamente recorrer à cirurgia, assim como esperar o envelhecimento avançar não é mais a única alternativa. O mais importante continua sendo uma avaliação individualizada.
“Não existe procedimento ideal para determinada idade. Existe o tratamento mais adequado para cada rosto, respeitando a anatomia, o momento de vida e o objetivo de cada paciente. A melhor escolha nunca deve ser baseada em tendências ou na idade, mas em uma indicação médica criteriosa”.

