Com o Carnaval de 2026 encerrado, episódios de superlotação e confusão em grandes cidades voltaram a colocar a segurança de eventos de massa no centro do debate. Em São Paulo, a confusão na Rua da Consolação terminou com atendimentos no local e abriu apuração do Ministério Público após o encontro de megablocos por atrasos. Em outras capitais, como em Salvador e no Rio de Janeiro, medidas de contenção e fiscalizações também entraram no radar no pós-folia.
Para a especialista em eventos corporativos Monique Fonseca, situações assim se repetem quando faltam pilares, como fluxo, rota de fuga e planejamento minuto a minuto. De acordo com ela, eventos grandes precisam nascer com estratégias claras de entrada, fuga e saída, alinhadas ao local e ao volume esperado. Ela diz que o erro mais comum aparece quando o gradeamento cria um cercado sem escape real para emergência.
“Dá para cercar a área, mas as rotas de fuga precisam ficar livres. O gradeamento tem que permitir a passagem de bombeiro e ambulância em caso de emergência, por exemplo”.
Como prevenir
A especialista destaca duas medidas que ajudam a quebrar o efeito dominó do tumulto.
1) Capacidade com regra clara. “Chegou ao limite, fecha o acesso. Não entra mais ninguém. É duro, mas evita crise e acidente”.
2) Cronograma técnico minuto a minuto. Monique recomenda um plano de contingência e uma programação cronometrada, que organiza deslocamento, montagem, testes, janelas de imprensa e dispersão. “Você fecha o horário de cada etapa do dia e reduz o improviso quando o cenário muda”.
Veja 7 medidas que reduzem risco em shows, feiras e grandes eventos corporativos:
1 – Mapa de fluxo: entrada, circulação, dispersão e saída, com rota sinalizada e equipe alinhada no mesmo plano.
2 – Rotas de fuga livres: corredor para bombeiro e ambulância, sem gargalo e sem bloqueio por grade.
3 – Capacidade controlada: limite técnico por área, ponto de corte, plano de bloqueio e aviso claro quando o local chega ao máximo.
4 – Logística contra cruzamento de multidões: janelas de chegada e saída, espaçamento entre atrações e rotas que evitam encontro de fluxos em eixos estreitos.
5 – Comando único no dia: liderança com autonomia para pausar, redirecionar público e acionar contingência.
6 – Plano de contingência: monte uma programação cronometrada minuto a minuto.
7 – Comunicação no local: orientação simples, pontos de apoio visíveis e mensagem única em caso de risco, com canal de informação para o público.
