Mais da metade da população adulta brasileira vive com excesso de peso. Segundo dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, 57,5% dos brasileiros estão acima do peso e 24,3% têm obesidade. Ao mesmo tempo, cresce o número de pessoas que investem em alimentação saudável e atividade física em busca de mudanças no corpo. Mas, mesmo após atingir o peso desejado, nem sempre a satisfação com a própria imagem acompanha esse processo.
Para o cirurgião plástico Dr. Marco Dallegrave, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), esse é um dos equívocos mais comuns entre pacientes. “Existe a ideia de que toda insatisfação corporal será resolvida com dieta e exercícios. Eles são fundamentais para a saúde e devem sempre ser incentivados, mas algumas alterações não dependem apenas da perda de gordura ou do fortalecimento muscular”, explica.
Com 21 anos de atuação na especialidade e mais de 5 mil cirurgias realizadas, Dallegrave afirma que recebe com frequência pessoas frustradas por acreditarem que ainda não treinaram ou emagreceram o suficiente. Segundo ele, o problema muitas vezes está relacionado ao excesso de pele, à flacidez, à diástase abdominal ou a mudanças provocadas pela gestação, pelo envelhecimento ou por grandes oscilações de peso.
O médico destaca que a cirurgia plástica não deve ser encarada como uma solução rápida nem como substituta dos hábitos saudáveis. Sua abordagem prioriza a segurança, o respeito à individualidade e uma avaliação completa das necessidades físicas e emocionais de cada paciente.
“A cirurgia faz sentido quando existe uma indicação real. O objetivo não é transformar alguém para atender um padrão estético, mas ajudar o paciente a recuperar conforto, funcionalidade e uma relação mais saudável com a própria imagem. Muitas vezes, cuidar da autoestima também significa cuidar da qualidade de vida”, afirma.
Segundo Dallegrave, alguns sinais indicam que pode ser o momento de procurar uma avaliação especializada.
- Você emagreceu, mas a pele continua sobrando
Após grandes perdas de peso, principalmente depois de cirurgia bariátrica ou mudanças importantes no estilo de vida, é comum permanecer excesso de pele em regiões como abdômen, braços, coxas e mamas.
Além da questão estética, a sobra de pele pode provocar assaduras, desconforto, dificuldade para praticar exercícios e até limitações nas atividades diárias.
“Em muitos pacientes, o peso deixa de ser o problema. O que passa a comprometer a qualidade de vida é justamente o excesso de pele”, explica.
- A flacidez não melhora nem com musculação
Ganhar massa muscular melhora o contorno corporal, mas não recupera a elasticidade de uma pele que perdeu colágeno devido ao envelhecimento, à gestação ou a grandes oscilações de peso.
Segundo o médico, fortalecer a musculatura continua sendo importante para a saúde, mas nem sempre resolve a principal queixa estética.
- O abdômen continua projetado mesmo com baixo percentual de gordura
Nem toda barriga persistente está relacionada ao acúmulo de gordura. Em algumas pessoas, especialmente após a gravidez, o volume abdominal pode estar associado à diástase dos músculos retos do abdômen.
“A avaliação permite identificar se o problema é gordura localizada, flacidez ou uma alteração muscular que exige outra abordagem”, explica.
- O incômodo está concentrado em apenas uma região
Há pessoas que mantêm hábitos saudáveis, apresentam peso adequado e boa condição física, mas continuam incomodadas com áreas específicas, como papada, braços, mamas, flancos ou abdômen.
“O corpo responde de maneira diferente em cada pessoa. Existem características anatômicas e genéticas que não dependem apenas dos exercícios”, afirma.
- O desconforto já interfere na rotina
Quando o excesso de tecido dificulta a prática de atividades físicas, provoca irritações na pele, limita a escolha das roupas ou causa dores durante tarefas simples, a questão deixa de ser apenas estética.
Segundo Dallegrave, o impacto funcional também precisa ser considerado durante a avaliação médica.
- Você atingiu o peso desejado, mas continua insatisfeito com a própria imagem
Em alguns casos, a balança deixa de ser o principal problema, mas a percepção corporal continua causando desconforto.
“O mais importante é compreender de onde vem essa insatisfação. Nem toda queixa será resolvida com cirurgia, assim como nem toda será resolvida apenas com dieta. Cada paciente precisa ser avaliado de forma individual”, ressalta.
- Você acredita que basta intensificar a dieta ou os treinos
Persistir em restrições alimentares cada vez maiores ou aumentar excessivamente a carga de exercícios pode não trazer o resultado esperado quando a origem da queixa não está relacionada ao excesso de gordura.
“A cirurgia plástica não substitui hábitos saudáveis nem deve ser vista como solução para questões emocionais. Ela pode ser indicada quando existe uma limitação anatômica que não responde às mudanças no estilo de vida. O objetivo é promover bem-estar, funcionalidade e uma relação mais saudável com a própria imagem”, conclui.



