Salgueiro recebe 35 alunos da UFRJ para formação prática no barracão

Foto: Thaynara Andrade/GRES Acadêmicos do Salgueiro


O barracão do Acadêmicos do Salgueiro também se tornou espaço de aprendizado para 35 alunos da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por meio de um curso de extensão, os estudantes participam da produção do Carnaval, com orientação dos profissionais da escola, e acompanham na prática as etapas de construção de fantasias e alegorias. As atividades seguem até o Carnaval de 2027.

A iniciativa foi proposta por professores da instituição ao carnavalesco Jorge Silveira, que já mantinha uma relação próxima com a Universidade. No barracão, os alunos são distribuídos entre diferentes setores, como costura, escultura, pintura e confecção de fantasias. A dinâmica permite alternar as atividades e conhecer diferentes técnicas, de acordo com as demandas da produção.

Para Jorge, a aproximação também recupera um capítulo importante da trajetória salgueirense, a relação entre o Carnaval e as artes, fortalecida por Fernando Pamplona na década de 1960. “Essa parceria está no DNA do Salgueiro. Foi graças ao Pamplona que começou essa ponte entre as duas academias, a Academia do Samba e a Academia de Belas Artes. Ao fazer essa ponte novamente, estamos resgatando esse contexto histórico, num ano em que o Salgueiro está voltando às suas origens”, afirma o carnavalesco.

A experiência amplia o contato dos estudantes com possibilidades de atuação profissional. Enquanto na universidade o aprendizado acontece em ateliês e laboratórios voltados ao estudo e à experimentação, no barracão os alunos participam da execução de peças que estarão no desfile. “Aqui, eles estão trabalhando em peças que vão desfilar de verdade. Estão participando de um projeto construtivo real. Antes de se formar, têm a possibilidade de botar a mão na massa e aprender técnicas”, destaca Jorge.

O carnavalesco acompanha as atividades e conversa com os estudantes sobre os processos de criação e produção. Para ele, receber a turma também tem um significado pessoal. “É mais que especial, porque é a possibilidade de devolver para a instituição o que eu aprendi. Quando eu estava na posição deles, como estudante, nunca tive essa oportunidade, porque não existia um programa ao qual eu pudesse aderir para aprender. E o meu objetivo era chegar ao Carnaval”, conta.

Com a iniciativa, o Salgueiro contribui para a formação de novos profissionais e para a transmissão dos saberes que sustentam o espetáculo na avenida, aproximando o conhecimento acadêmico da experiência de quem constrói o Carnaval diariamente.