Linda Perry, do 4 Non Blondes e Billie Joe Armstrong
Linda Perry não poupou palavras ao falar sobre Billie Joe Armstrong, vocalista do Green Day.
Em entrevista publicada pela revista britânica NME no último domingo (24), a produtora e ex-vocalista do 4 Non Blondes confirmou que estava escalada para produzir o sucessor de “American Idiot” e acusou Armstrong de ter sumido depois que a parceria virou alvo de críticas dos fãs.
Segundo Perry, a banda californiana a procurou pessoalmente para o projeto. “Eu tinha a agenda cheia e cancelei seis meses de trabalho para fazer isso”, contou. A produtora chegou a se reunir com Billie Joe por três horas e relatou que o vocalista “tinha chegado naquele ponto em que sente que não tem nada a dizer e precisa de ajuda”, descrevendo o trabalho de produção como uma espécie de terapia.
O tom mudou quando Courtney Love comentou publicamente sobre a colaboração. A revelação detonou uma onda de reclamações nas redes, com fãs do Green Day questionando a presença de uma produtora associada a hits de Pink e Christina Aguilera em um disco da banda de punk rock. Foi aí que, segundo Perry, as ligações pararam de ser retornadas.
“Perdi seis meses de trabalho agendado. Foi uma sacanagem, tudo porque o Billie Joe é um covarde e levou toda aquela reação dos fãs como ofensa pessoal”, afirmou. Ela completou: “Não retornar minhas ligações foi um movimento covarde, e eu perdi muito o respeito pelo Billie Joe. Foi cruel e mal-educado. Bastava ligar e dizer ‘vamos seguir outro caminho’. Cresce, cara.”
Na época, em 2007, a equipe do Green Day chegou a divulgar um comunicado negando que Perry fosse a produtora oficial do projeto e afirmou que a banda seguiria com Rob Cavallo, parceiro de longa data. O disco que veio a seguir, “21st Century Breakdown”, saiu em 2009 sob produção de Butch Vig, conhecido pelo trabalho com Nirvana e Smashing Pumpkins.
Para Perry, o episódio teve componente machista. “Aconteceu porque eu era mulher e tinha composto canções pop. Fiquei decepcionada com aqueles caras, e fiquei brava com a Courtney porque, se ela tivesse ficado quieta, a gente teria feito o disco e ele teria falado por si só. Eu tinha uma visão e sabia que ia arrasar naquele disco”, disse a produtora, que recentemente recebeu o Special International Award no Ivor Novello Awards.
A artista também revelou um detalhe curioso sobre o método de gravação do Green Day: os integrantes não tocavam juntos em estúdio. “O Billie fazia a parte dele, depois o Mike (Dirnt, baixista) entrava, e então o Tré (Cool) chegava, mas eles não gravavam juntos”, contou. Perry sugeriu que o trio se sentasse em círculo, no estilo dos anos 1960, e até preparou uma playlist com referências. A ideia acabou aproveitada no projeto paralelo Foxboro Hot Tubs, lançado em 2008.
A declaração ganha relevância em um momento de alta exposição da banda, que abriu o Super Bowl LX em fevereiro deste ano. Já Linda Perry, dona de clássicos como “What’s Up”, reuniu o 4 Non Blondes em 2025 e anunciou o primeiro show da banda no Reino Unido em três décadas. Segundo ela, um novo álbum reunindo canções inéditas de seu catálogo também está a caminho.
