Projeto de lei prevê alerta obrigatório em celulares sobre danos à coluna cervical

O celular em uso demasiado acaba com a sua cervical 


O uso excessivo de celulares pode passar a vir com um alerta obrigatório nas embalagens no Brasil. A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1592/20, de autoria do senador Otto Alencar (PSD-BA), que determina a inclusão de advertência sobre os riscos do uso prolongado à coluna cervical.

O texto estabelece que os aparelhos deverão trazer, de forma destacada e ocupando ao menos 10% da parte frontal da embalagem, a frase: “Use com moderação. O uso excessivo prejudica a coluna cervical”. A advertência também deverá constar nos manuais e guias do usuário, sendo condição para certificação e comercialização dos produtos no país.

O relator da proposta na comissão, deputado Julio Cesar Ribeiro, defendeu a medida como forma de conscientizar a população sobre os impactos do uso prolongado dos dispositivos. O projeto ainda será analisado pelas comissões de Defesa do Consumidor; de Saúde; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara sem alterações.

Para especialistas, a iniciativa acompanha um cenário já observado na prática clínica: o aumento de dores na coluna associado ao uso prolongado de telas. De acordo com o fisioterapeuta Dr. André Pêgas, CEO da rede Doutor Hérnia, a tecnologia tem impactado diretamente a postura e acelerado problemas na coluna.

“A tecnologia faz com que as pessoas permaneçam sentadas ou paradas por horas, sempre na mesma posição. Essa imobilidade causa sobrecarga postural e contribui para a perda da musculatura que sustenta a coluna, gerando instabilidade e dores que, com o tempo, podem evoluir para problemas mais graves”, explica.

Um dos quadros mais comuns é a chamada “síndrome do pescoço de texto”, provocada pela inclinação constante da cabeça ao usar o celular. “Quando olhamos para o celular, a carga sobre a coluna cervical pode aumentar até cinco vezes. Essa sobrecarga, mantida diariamente, acelera processos degenerativos e gera alterações posturais importantes”, alerta o especialista.

Além da cervical, a má ergonomia no uso de computadores também afeta a região lombar. “A tela muito baixa e cadeiras inadequadas fazem com que a pessoa projete a cabeça para frente e sobrecarregue a coluna. Isso aumenta a pressão sobre os discos e a tensão muscular”, afirma.

Problema começa cada vez mais cedo

Se antes as dores na coluna eram mais comuns na vida adulta, hoje atingem também jovens e adolescentes. “Vemos crianças e adolescentes com postura comprometida pelo uso prolongado de telas. A falta de fortalecimento muscular e o sedentarismo potencializam esse problema e podem trazer consequências sérias no futuro”, destaca Dr. Pêgas.

Nos idosos, o uso inadequado da tecnologia também pode agravar quadros já existentes.
“Com a idade, há maior predisposição a artroses. O uso incorreto de dispositivos pode intensificar inflamações articulares e dores crônicas”, diz.

Como reduzir os impactos no dia a dia

“O monitor deve estar na altura dos olhos, e o celular precisa ser elevado para evitar a inclinação do pescoço. Também é fundamental fazer pausas regulares, levantar e se movimentar ao longo do dia”, orienta.

Segundo o especialista, a prevenção depende de dois pilares principais: ergonomia e fortalecimento muscular. “Mesmo com boa postura, o excesso de tempo em frente às telas impacta a coluna. O fortalecimento muscular é essencial para manter a estabilidade das vértebras e reduzir o risco de dor”, afirma.

Quando a dor merece atenção

“As dores podem evoluir para quadros crônicos se não forem tratadas. Quando passam a persistir, mesmo após repouso ou alongamentos, é importante procurar um fisioterapeuta. Quanto antes o tratamento começa, maiores são as chances de recuperação”, finaliza Dr. Pêgas.

Link sobre o PL: https://www.camara.leg.br/noticias/1256771-comissao-aprova-projeto-que-torna-obrigatoria-advertencia-em-celulares-sobre-prejuizos-de-uso-excessivo