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Por que Antonio Fagundes foi tirado da novela da TV Globo

O importante personagem interpretado por Antonio Fagundes foi assassinado na novela da TV Globo porque o ator assumiu compromissos teatrais pelo país.

Antônio Fagundes

Antonio Fagundes sempre gravava as novelas de segunda a quarta-feira para poder se dedicar ao teatro nos fins de semana. Exatamente por isso, ele é um dos poucos atores do país com público próprio no teatro, lotando casas de espetáculo por onde passa.

Antonio é um dos maiores atores de todos os tempos. Porém, infelizmente, o papel que interpretou em “Renascer” foi tão forte em sua personalidade que, a partir dali, ele passou a carregar características do personagem em praticamente todos os trabalhos seguintes.

Algo muito parecido aconteceu no passado com o ator Sean Connery, que ficou marcado por interpretar o agente inglês 007, a serviço de Sua Majestade.

Sean Connery precisou passar por um período de psicoterapia para conseguir se desvincular do personagem e interpretar outros papéis. Talvez ele jamais tivesse conseguido dar vida ao monge de “O Nome da Rosa” se não tivesse conseguido se despir da figura do agente secreto.

Essas situações acontecem com frequência nas artes. Isso existe na música e também na pintura.

Quando um pintor ou uma pintora atravessa uma fase artística, essa fase costuma ser reconhecida justamente pela grande semelhança entre as obras produzidas. Como a pintura também é uma arte terapêutica e laboral, o artista acaba, naturalmente, deixando uma fase para entrar em outra.

Na arte da interpretação, esse processo é mais difícil sem a ajuda de um psicólogo ou de algum profissional semelhante.

Existe ainda uma outra alternativa. Porém, infelizmente, as novelas já não contam com diretores como antigamente — profissionais que sabiam dirigir artisticamente os atores e conduzi-los a diferentes tons de interpretação.

Os diretores de hoje estão longe da maturidade de mestres como Dionísio Azevedo, Geraldo Vietri e Tarcísio Meira.

Tarcísio Meira dirigiu muitos especiais na TV Excelsior e sabia como construir um personagem, além de orientar o ator sobre aquilo que precisava ser feito em cena.

Também lembro de Walter Stewart e Aparecida Baxter, que na TV Excelsior igualmente dominavam esse tipo de direção artística.

Mas, nos dias de hoje, é mais fácil encontrar um chef de cozinha do que um grande diretor de atores.