Cinema em transformação
Ir ao cinema deixou de ser apenas uma escolha de conteúdo. Em um cenário em que filmes e séries podem ser acessados de diferentes maneiras e telas, a experiência proporcionada pela sala ganha peso na decisão do público. Mais do que assistir a um filme, o espectador busca uma ocasião que justifique sair de casa e, para o mercado exibidor, isso coloca a qualidade da experiência no centro da discussão.
Os números mostram que o mercado brasileiro atravessa um momento relevante de recuperação. Segundo o Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro 2025, da Ancine (Agência Nacional do Cinema), o país encerrou o ano passado com 3.544 salas de cinema em funcionamento, maior número da série histórica, e recebeu 112,8 milhões de espectadores.
A discussão sobre a experiência acontece em paralelo à expansão e à transformação do mercado. Salas premium, tecnologias de projeção e áudio, conforto, formatos diferenciados e eventos especiais fazem parte de um movimento mais amplo dos exibidores para criar motivos adicionais para o público escolher a experiência presencial.
A consultoria Futuresource aponta que o mercado global de cinema registrou crescimento de 7% em receita em 2025, ultrapassando US$ 33 bilhões, com o avanço associado, entre outros fatores, ao aumento do preço médio dos ingressos mas também à demanda dos espectadores por experiências mais premium.
Para Daniel Martins, Gerente de Vendas da Dolby, o desafio da indústria não está apenas em atrair o público de volta às salas, mas em entender o que torna a experiência cinematográfica relevante em um ambiente de múltiplas opções de entretenimento.
“O cinema tem uma característica que nenhum outro formato reproduz da mesma maneira: a possibilidade de viver uma história em um ambiente pensado para potencializar aquela experiência. Quando falamos em uma experiência premium, não estamos falando apenas de tecnologia. Estamos falando de como som, conforto e ambiente trabalham juntos para criar uma experiência que o espectador reconheça como especial e que faça sentido para aquele momento”, afirma.
Experiência como diferencial
A transformação dos hábitos de consumo audiovisual tornou a experiência presencial um elemento cada vez mais importante para a indústria. O debate não se resume à comparação entre cinema e entretenimento doméstico, mas envolve compreender quais atributos fazem uma sessão presencial ser percebida como uma experiência de valor.
No Brasil, redes exibidoras vêm ampliando investimentos em salas premium, programas de fidelidade, eventos e diferentes formatos de exibição. Para a Dolby, tecnologia é uma das ferramentas que podem contribuir para essa transformação, desde que esteja a serviço da história.
“A tecnologia é mais relevante quando não compete com o conteúdo, mas ajuda a potencializá-lo. No caso do áudio, por exemplo, uma experiência tridimensional pode contribuir para que o espectador perceba detalhes, espacialidade e elementos sonoros de uma maneira mais envolvente. O objetivo final continua sendo a história e a conexão emocional que ela estabelece com o público”, explica Daniel Martins.
A tecnologia, porém, é apenas uma parte de uma equação mais ampla. Para Paula Pimentel, Head of Marketing & Brand Comms LatAm, a discussão sobre experiência premium também passa por entender que o público não busca necessariamente mais tecnologia, mas experiências que entreguem valor percebido.
“O consumidor está mais criterioso sobre onde investe seu tempo e seu dinheiro. Por isso, oferecer uma experiência premium não significa simplesmente adicionar recursos, mas construir uma jornada coerente, em que cada elemento – da qualidade técnica ao conforto e ao ambiente – tenha um papel. Para o cinema, essa é uma oportunidade de transformar uma sessão em uma experiência que as pessoas tenham vontade de repetir e recomendar”, afirma.
Um debate para toda a indústria
É nesse contexto que a EXPOCINE26, principal convenção latino-americana dedicada ao mercado cinematográfico, ganha relevância para a discussão. Realizada de 29 de setembro a 2 de outubro, em São Paulo, a edição de 2026 reúne profissionais, empresas e especialistas para discutir os caminhos do setor e promover conexões de negócios.
A programação acontece em um momento especialmente oportuno para discutir o papel da experiência. A própria EXPOCINE vem colocando temas relacionados à transformação do setor no centro de seus debates. Como uma das patrocinadoras da EXPOCINE26, a Dolby defende uma visão de que a evolução tecnológica deve estar conectada às necessidades do público e à visão criativa dos profissionais que produzem cinema.
“O futuro do cinema passa necessariamente pela experiência. Em um mercado em transformação, precisamos olhar para todos os elementos que fazem uma pessoa escolher estar em uma sala: o conteúdo, a qualidade técnica, o conforto, a inovação e a capacidade de transformar uma sessão em um momento relevante. A EXPOCINE existe justamente para promover esse diálogo e conectar os diferentes elos da indústria em torno dos desafios e oportunidades do setor. Neste ano, o tema ‘TELA ABERTA: CINEMA QUE SE MOVE POR SI SÓ’ é o retrato de um cinema maduro, que conquistou uma força própria e transita por todas as telas de forma muito orgânica, comenta Marcelo Lima, criador do Grupo Tonks e idealizador da EXPOCINE. ”
Serviço
Expocine 2026
Com o tema “TELA ABERTA: CINEMA QUE SE MOVE POR SI SÓ”, o encontro de deste ano propõe uma reflexão aprofundada sobre a convergência das telas de cinema, celular, tablets e streaming, e celebra a força e a expansão do atual momento do mercado cinematográfico latino-americano. As vendas de credenciais já chegaram ao terceiro lote, que está disponível em número limitado por um preço especial e com condições de pagamento facilitadas. O destaque é para a categoria FORUM, que dá acesso completo à feira de negócios, oficinas formativas e painéis estratégicos. Para conferir os valores, categorias de acesso e realizar a inscrição, acesse o site oficial.




