Niterói quer transformar relação com o mar em nova frente de desenvolvimento econômico

Com uma história econômica diretamente ligada à Baía de Guanabara e à indústria naval, Niterói tem diante de si a oportunidade de ampliar a forma como utiliza sua relação com o mar para gerar desenvolvimento. Para Beto Marcelino, presidente do Conselho do iCities e uma das lideranças do Tomorrow.Blue Economy Niterói, o próximo passo é conectar setores tradicionais a novas atividades ligadas à tecnologia, turismo, gastronomia, economia criativa e inovação.

Região Oceânica de Niterói

A discussão ganhou projeção na última semana durante o Rio Innovation Week 2026, onde Marcelino participou de debates sobre economia azul, cidades inteligentes e desenvolvimento territorial. Agora, a agenda volta-se para Niterói, que recebe nos dias 25 e 26 de novembro a terceira edição do Tomorrow.Blue Economy, na Arena Niterói.

“Quando falamos de economia azul, estamos tratando de desenvolvimento. Existe a economia tradicional da pesca, da indústria naval, da navegação e das atividades offshore, mas existe também uma nova economia formada por startups, artistas, turismo, gastronomia, tecnologia, moradia e economia criativa. Há muito mais para ser colocado nessa conversa”, afirma Marcelino.

Para ele, o diferencial de Niterói está justamente na possibilidade de reunir diferentes vocações em torno de uma estratégia comum. A proximidade com universidades e centros de pesquisa, a tradição naval, o ambiente de inovação e a relação cotidiana da população com a Baía de Guanabara formam uma combinação que pode favorecer novos negócios e investimentos.

“Niterói pode utilizar essa agenda como plataforma de formação, articulação e desenvolvimento. Precisamos continuar alimentando esse ecossistema para que a cidade possa se posicionar como uma referência da economia azul e, a partir dela, impulsionar diferentes projetos ao longo do litoral brasileiro”, defende.

De quem desenvolve a quem financia

A terceira edição do Tomorrow.Blue Economy Niterói pretende aprofundar justamente essa articulação. A proposta é aproximar academia, empresas, investidores, reguladores e poder público para discutir inovação, financiamento, desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

Mais do que apresentar soluções, o objetivo é criar um ambiente em que quem desenvolve novas tecnologias e modelos de negócio possa dialogar diretamente com quem possui capacidade de investir, financiar, contratar ou estabelecer as regras para que essas iniciativas avancem.

Para Marcelino, essa conexão é fundamental para que o potencial da economia azul deixe o campo das possibilidades e se transforme em projetos concretos.

“Ecossistemas fortes surgem quando conseguimos colocar na mesma conversa quem pesquisa, quem empreende, quem investe e quem formula políticas públicas. Niterói tem condições de fazer essa conexão e transformar sua relação histórica com o mar em uma agenda de futuro”, afirma.