O My Chemical Romance virou alvo de uma ação na Justiça do Texas por causa do figurino usado no palco. A Pro Silver Star, empresa que controla as Dallas Cowboys Cheerleaders, quer uma ordem de restrição imediata para impedir a banda de seguir usando uniformes parecidos com os do famoso grupo de líderes de torcida.

A disputa nasceu na residência da banda no Hollywood Bowl, em Los Angeles, parte das comemorações dos 20 anos do álbum “The Black Parade”. Em cena, dançarinas aparecem com peças azuis e brancas muito semelhantes às das cheerleaders durante “Teenagers”, faixa de 2006.
Segundo o processo, obtido pela Billboard e protocolado em 23 de outubro, os figurinos reúnem os “elementos característicos” do uniforme oficial: botas brancas, colete branco com estrelas azuis e pompons nas mesmas cores. Na encenação, as performers empunham rifles e protagonizam um tiroteio ficcional, aparecendo baleadas e rastejando para fora do palco.
A empresa afirma que a semelhança fez o público confundir as dançarinas com as verdadeiras Dallas Cowboys Cheerleaders. “Membros da plateia e comentaristas online acreditaram, compreensivelmente, que as performers eram as verdadeiras Dallas Cowboys Cheerleaders, e disseram isso em publicações nas redes sociais que continuam circulando”, diz o documento.
A Pro Silver Star faz questão de registrar que não é “litigiosa” e que não se opõe à música, às ambições artísticas ou à mensagem da banda. O pedido, assinado pelo advogado Alex Spiro, também mira a promotora Live Nation, acusada de violar os direitos de marca das cheerleaders.
“A Silver Star pede apenas que essas performers não usem o uniforme das DCC enquanto fazem isso”, escreve a empresa. “O universo de desenhos alternativos de figurino é praticamente ilimitado.”
Especialistas veem caso frágil
Advogados especializados em marca ouvidos pela Billboard avaliam que a ação pode ter rendido manchetes, mas tem fundamentos jurídicos frágeis diante da Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão nos Estados Unidos.
“Este caso é o exemplo perfeito de por que a Primeira Emenda importa”, afirmou David Bernstein, litigante do escritório Debevoise. Para Eric Ball, da Fenwick, vestir performers como um pedaço da cultura americana em um show distópico é comentário artístico e deveria ser protegido pelos tribunais.
A indústria musical já viveu algo parecido. Em 1997, a Mattel processou a MCA Records por causa de “Barbie Girl”, do Aqua, e acabou derrotada: em 2002, um tribunal de apelações decidiu que uma marca não dá a ninguém o direito de barrar o uso criativo de quem expressa ideias, e aconselhou as partes a “relaxar”.
As cheerleaders querem uma decisão rápida para barrar os uniformes já nos dois últimos shows da temporada, marcados para 30 e 31 de outubro. A empresa diz ter enviado notificações extrajudiciais e apresentado o processo aos representantes da banda antes do show de 23 de outubro, sem sucesso.
A nova polêmica chega em meio à turnê de aniversário que também marcou o relançamento de “The Black Parade” em edição de 20 anos. Para Bernstein, o preço da fama é inevitável: “A questão de ser icônico é que você precisa aceitar que faz parte da conversa”.


