A jornalista Miriam Leitão, de 73 anos, passou por um momento de mal-estar durante sua participação ao vivo no programa Edição das 18h, da GloboNews, na quarta-feira (28). Enquanto comentava acontecimentos da política brasileira, a jornalista relatou que estava sentindo tontura e precisou interromper sua fala para se aproximar da bancada e se apoiar.

A apresentadora Camila Bomfim acompanhou a situação, e Miriam conseguiu retomar sua participação após o episódio.
O ocorrido repercutiu nas redes sociais e trouxe à tona uma questão muito comum entre os brasileiros: afinal, toda tontura é labirintite?
Para o Saulo Nader, conhecido nacionalmente como Doutor Tontura, neurologista no diagnóstico e tratamento das doenças que provocam tontura, é fundamental compreender que o sintoma pode ter diferentes origens.
“Existe uma tendência de chamar qualquer tontura de labirintite, mas não é bem assim. Há dezenas de doenças capazes de provocar tontura, e cada uma delas pode exigir uma abordagem diferente. O mais importante é descobrir o que realmente está causando o sintoma”, explica o neurologista.
Nem toda tontura é igual
A tontura pode se manifestar de diferentes maneiras. Algumas pessoas sentem o ambiente girar, outras relatam desequilíbrio, sensação de flutuação ou instabilidade ao caminhar.
Entre as possíveis causas estão a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), a enxaqueca vestibular, a doença de Ménière e alterações que não estão diretamente relacionadas ao labirinto.
Segundo o Dr. Saulo, um dos problemas é que muitas pessoas convivem com episódios recorrentes de tontura sem uma investigação adequada.
“Quando tudo é chamado de labirintite, corremos o risco de não identificar a verdadeira doença. E, sem o diagnóstico correto, o tratamento pode não funcionar como deveria. A pessoa continua sofrendo com a tontura, muitas vezes sem saber que existem alternativas de tratamento para a maioria dessas condições”, destaca.
O neurologista explica que a avaliação deve considerar como a tontura começou, quanto tempo dura, sua frequência, os fatores que a desencadeiam e a presença de outros sintomas.
Tontura tem tratamento
Embora seja um sintoma bastante frequente, especialmente com o avanço da idade, a tontura não deve ser considerada algo normal ou inevitável.
Grande parte das doenças que provocam tontura possui tratamentos capazes de controlar ou melhorar significativamente os sintomas. Dependendo do diagnóstico, a abordagem pode envolver manobras específicas, reabilitação vestibular, medicamentos e mudanças de hábitos.
Além disso, episódios repentinos merecem atenção, principalmente quando acompanhados de dificuldade para falar, perda de força, alterações visuais, dificuldade intensa para caminhar ou dor de cabeça súbita e muito forte. Nesses casos, é fundamental procurar atendimento de emergência para descartar condições graves, como um AVC.
Ao comentar o episódio envolvendo Miriam Leitão, o neurologista reforça a importância de olhar para a situação com cuidado e empatia.
“Não podemos afirmar qual foi a causa da tontura da Miriam sem conhecer sua avaliação médica. Mas o episódio serve de alerta para milhares de pessoas que passam por situações semelhantes. Tontura não é tudo igual, e ninguém precisa simplesmente se acostumar a viver com esse desconforto. Estou na torcida pela recuperação da jornalista e para que ela fique bem”, conclui o Dr. Saulo Nader.


