Mais brasileiros na Fórmula 1

Mudanças de nome, parcerias, aquisições de equipes… nada disso é incomum na F1. O que não costuma acontecer com frequência é a entrada de uma equipe totalmente do zero na categoria, sem tirar o lugar de ninguém e com instalações novas. No GP da Austrália de domingo (8), a Fórmula 1 verá um novo exemplo deste tipo após dez anos: a Cadillac.

Foto: Charles Coates/LAT Images

Excluindo o time americano da conta, apenas oito equipes surgiram desta forma nos últimos 30 anos, e só uma segue de pé: a Haas. Curiosamente, algumas delas tiveram brasileiros como pilotos durante os anos de estreia na Fórmula 1. Foi o caso da HRT, time que só permaneceu na categoria por três temporadas. Bruno Senna, porém, revelou as dificuldades enfrentadas em sua passagem na equipe.

– O clima dentro da equipe era sempre muito ruim, terrível. O carro estava sempre com problemas, não tinha peça nova, não tinha peça sobressalente. Tudo que quebrava era reemendado, então era sempre uma situação bem complicada – revelou o ex-piloto, sobrinho do tricampeão Ayrton Senna. Bruno categorizou a HRT como um “projeto complicado” desde o início e detalhou:

– A expectativa de conseguir fundos era um pouco otimista demais. A gente estava tentando ajudar eles com nosso conhecimento e trazendo, inclusive, potenciais patrocinadores do Brasil. Mas eles, com a visão irrealista de que conseguiriam, se atrapalharam. O carro (Dallara) era bem-nascido, mas acabou ficando atrasado, sem o desenvolvimento da pré-temporada. A gente tentava fazer certas pontes, mas o Colin Kolles (chefe de equipe) não estava interessado em fazer a equipe ir para frente, ele estava interessado em fazer dinheiro e trazer as pessoas que interessavam para ele.

Em seu primeiro ano na F1, a HRT não saiu do fundo do grid; seu melhor resultado foi um 14º lugar, obtido duas vezes por Karun Chandhok e uma por Bruno Senna.

– O carro era muito limitado, então o dia que a gente conseguia estar na frente das outras, ficava feliz. Mas o problema maior é que nessa situação de estar com peças remendadas, etc, o carro variava muito de um dia para o outro, ele não tinha todos aqueles sensores das equipes mais avançadas. Psicologicamente era muito complicado entender se era a tua falta de performance, ou era do carro. A gente teve que lutar muito para se manter com uma moral alta em poucos momentos. Nenhum esportista quer estar numa situação dessa.

O brasileiro deixou o time na temporada seguinte, migrando para a Renault, mas as dificuldades seguiram na garagem espanhola até sua retirada, ao fim de 2012. Senna, por sua vez, ainda correu pela Lotus e a Williams antes de deixar o grid da categoria.

Ele foi mais um da lista de brasileiros que compuseram equipes estreantes na F1, assim como os compatriotas Lucas di Grassi (Virgin, em 2010); Rubens Barrichello (Stewart, em 1997) e Ricardo Rosset (Lola, em 1997). Mas apesar do frustrante retrospecto pessoal, Senna projeta um começo melhor para a Cadillac em 2026:

– Eles já vêm com um background mais sólido, estão fazendo essas preparações e têm um respaldo bem grande da GM por trás. Estão realmente investindo na equipe, no que eles querem atingir; eles não estão ali para brincar, estão ali para investir, mostrar a força dos Estados Unidos. Vão ter pilotos experientes também, o que acho que vai ajudar bastante. Espero que eles consigam ir bem, toda equipe nova na Fórmula 1 ajuda o esporte e ajuda a competição.

Fonte ge