Foto: Ricardo Stuckert/PR
Diplomatas brasileiros com quem a CNN conversou após o encontro entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avaliam que o principal triunfo diplomático da reunião entre ambos foi o acerto para que haja um processo de negociação entre as equipes técnicas, ao longo de 30 dias, sobre pontos como tarifas, minerais críticos e crimes transnacionais.
Isso porque não havia, até o início do encontro, na comitiva brasileira, a expectativa de que fosse anunciado algum acordo sobre esses pontos, já que a leitura era a de que as equipes técnicas não haviam avançado previamente nesses temas para que Lula e Trump pudessem anunciar algo.
Nesse sentido, a sinalização de um processo de negociação de curto prazo, como o anunciado, era algo que a comitiva considerava relevante obter do encontro — e conseguiu.
Um ponto de alerta na comitiva, porém, é que os dois lados já haviam anunciado um processo de negociação após o segundo encontro entre Lula e Trump, na Malásia, em novembro do ano passado. Mas essas negociações não avançaram.
A percepção era a de que o lado brasileiro queria negociar, mas tinha pontos de vista sobre esses assuntos distantes do que pretendem os americanos. E o lado americano, por sua vez, nunca se empenhou muito em avançar nas conversas, segundo interlocutores do governo brasileiro. O receio deles é que isso se repita agora.
Ainda assim, se há dúvidas sobre a concretude de algo a ser apresentado após os 30 dias, a percepção de governistas é de que, do ponto de vista da política doméstica, o encontro foi muito bem-sucedido.
Lula sai de uma semana marcada por uma derrota histórica, com a rejeição de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo Senado, para um encontro de três horas com Trump sem sobressaltos ou constrangimentos e mostrando, segundo seus aliados, que a ideia vendida na semana passada de que seu governo acabou está equivocada.
