IA: uma aliada ou uma ameaça para o músculo literário?

Daisy Gouveia

Será que podemos dizer que a inteligência artificial vai atrofiar ou enfraquecer nosso músculo literário?

A escrita é um exercício de pensamento crítico e introspectivo. Ao delegar isso a IA , claro que o escritor corre o risco de perder a emoção do texto e ter um coautor em sua obra. Essa função não pode ser da máquina. A sutileza da escrita, ironia, estranhezas, que estão presentes na literatura faz parte da alma humana.

A perda da escrita à mão, que vem acontecendo ao longo dos anos, pode trazer um retrocesso intelectual? Sempre gosto de ressaltar a importância do exercício manuscrito que traz ritmo na escrita, escolha de palavras e construção de frases, memória e concentração.

Se deixarmos nossos textos à cargo da IA em alguns aspectos, o mercado corre o risco de ter obras tecnicamente perfeita, porém sem emoção.

Por outro lado, ela pode ajudar , e muito, em algumas fases da escrita até a publicação.

Quando pensamos na IA como ferramenta de apoio estrutural e não de criação, ela torna-se uma aliada:

1- Pode verificar se o escritor está deixando lacunas na trama.

2- Analisar a linha de tempo da narrativa proposta e coerência.

3- Identificar se existem excessos de descrição no texto, como também palavras repetidas muitas vezes e muitos adjetivos que podem ser retirados, para termos uma leitura mais enxuta. Aquele tradicional ‘encher linguiça’ desnecessário.

4- Identificar também parágrafos e frases longas, que não permitem que o leitor respire. Dar ritmo ao texto.

5- Garantir que detalhes importantes se percam na narrativa.

6- E, por fim, pode auxiliar na clareza, importantíssimo item para o escritor.

Então, já pensou em fazer essa experiência? Me conta qual IA usa, e como a essa Inteligência Artificial entra em seus conteúdos. Prefere não utilizar?

Por Daisy Gouveia 

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