Variedades

Especialistas recomendam cuidado nas festas de São João

Mais de 700 atendimentos de emergência por queimaduras já foram registrados no Paraná em 2026


As bandeirinhas, as comidas típicas e as fogueiras fazem parte da tradição das festas juninas em todo o Brasil. Mas, junto com as celebrações, cresce também o número de acidentes por queimaduras.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, os acidentes mais frequentes nesta época do ano resultam em queimaduras de segundo grau, que atingem principalmente cabeça, tronco e membros superiores, como mãos e braços.

Entre janeiro e maio deste ano, o Paraná registrou 507 internações e 722 atendimentos de emergência realizados pelo Samu relacionados a queimaduras. Os números evidenciam a relevância do problema no estado.

O cenário reforça o alerta para um dos períodos mais críticos do ano quando o assunto é prevenção de queimaduras. Para Andrezza Barreto, enfermeira da Vuelo Pharma e especialista em tratamento de lesões de pele, muitos desses acidentes poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção.

“A maioria dos casos acontece por descuido, falta de informação ou pela falsa sensação de que o acidente não vai acontecer. Durante as festas juninas, há uma combinação de fatores de risco que exige atenção redobrada das famílias”, afirma.

Entre os principais perigos estão as fogueiras improvisadas, o manuseio inadequado de fogos de artifício e o contato com líquidos superaquecidos. Panelões de quentão, chocolate quente, sopas e outras preparações típicas podem provocar queimaduras graves em poucos segundos, principalmente quando ficam ao alcance das crianças.

“São acidentes muito rápidos. Basta um esbarrão, uma panela posicionada em local inadequado ou uma criança puxando uma toalha de mesa para que aconteça uma queimadura grave. Como a pele infantil é mais sensível, as lesões costumam ser mais profundas e exigem cuidados especializados”, explica a especialista.

Além da dor imediata, as queimaduras podem gerar consequências duradouras. Dependendo da extensão e profundidade da lesão, o paciente pode enfrentar infecções, necessidade de internação, procedimentos cirúrgicos, limitações funcionais e cicatrizes permanentes.

Fogos de artifício exigem atenção redobrada

Os acidentes envolvendo fogos de artifício estão entre os casos mais graves registrados durante o período junino. Queimaduras em mãos, rosto e olhos podem causar sequelas permanentes e, em situações extremas, levar à perda de membros ou da visão.

“Fogos de artifício não são brinquedos. Eles envolvem explosões e temperaturas extremamente elevadas. Quando utilizados sem os cuidados adequados, representam um risco não apenas para quem os acende, mas também para todas as pessoas ao redor”, alerta Andrezza.

O que fazer em caso de queimadura

Apesar da ampla divulgação de orientações médicas, receitas caseiras continuam sendo um dos erros mais frequentes após acidentes com queimaduras. Segundo a especialista, substâncias como pasta de dente, manteiga, óleo, café, pomadas sem orientação médica ou ervas não devem ser aplicadas sobre a lesão.

“O primeiro cuidado é resfriar a região atingida com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 20 minutos. Isso ajuda a interromper a progressão da queimadura e reduz os danos aos tecidos. Depois, a orientação é procurar atendimento médico, especialmente em casos mais extensos ou quando a lesão atinge áreas sensíveis como rosto, mãos, pés ou genitais”, explica.

Também é importante retirar acessórios como anéis, pulseiras e relógios, caso seja possível, devido ao risco de inchaço da região afetada.

Tecnologia auxilia na recuperação

Nos últimos anos, os avanços no tratamento de queimaduras têm contribuído para uma recuperação mais confortável e eficiente dos pacientes. Entre as tecnologias disponíveis está a Membracel, membrana de celulose desenvolvida pela Vuelo Pharma para o tratamento de feridas e queimaduras.

Segundo Andrezza Barreto, o curativo funciona como uma barreira protetora temporária sobre a lesão, ajudando a manter o ambiente adequado para a cicatrização e proporcionando maior conforto durante o processo de recuperação.

“Hoje contamos com recursos que auxiliam no tratamento e na regeneração dos tecidos. Mas a melhor estratégia continua sendo a prevenção. Grande parte dos acidentes registrados durante as festas juninas pode ser evitada com supervisão adequada, atenção aos riscos e informação”, conclui.