Diagnóstico de Chico Pinheiro reacende alerta para avanço do câncer de intestino no Brasil

Chico Pinheiro


A recente revelação do jornalista Chico Pinheiro, de 72 anos, trouxe um novo foco para a importância da saúde digestiva. O ex-âncora do “Bom Dia Brasil” contou, em entrevista ao cantor Zeca Baleiro, que foi diagnosticado com um câncer de intestino, tendo passado por cirurgia e mais de um mês de internação.

O caso do comunicador reforça a urgência da conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer de cólon e reto, também conhecido como câncer colorretal. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), este tipo de tumor ocupa a terceira posição entre os mais frequentes no Brasil (excluindo o câncer de pele não melanoma), respondendo por 10,4% dos novos casos previstos para o triênio 2026-2028.

O oncologista da Afya Montes Claros, Dr. Levindo Tadeu, explica que os fatores de risco associados à doença envolvem tanto a genética quanto o estilo de vida.

“Cerca de 20% a 30% dos casos estão relacionados à predisposição genética, ou seja, alterações hereditárias presentes desde o nascimento que aumentam o risco de desenvolvimento da neoplasia. A maioria dos casos, no entanto, está associada a fatores ambientais e comportamentais, como desregulação metabólica (obesidade, síndrome metabólica e esteatose hepática), alto consumo de carne vermelha e alimentos processados, baixa ingestão de frutas, verduras e fibras, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e presença de doenças intestinais que podem predispor ao câncer, como as doenças inflamatórias intestinais”

Com estimativas de 781 mil novos registros anuais de câncer no país, ou 518 mil ao desconsiderar o de pele não melanoma, o Brasil deve registrar entre 53,8 mil e 54 mil novos diagnósticos de câncer colorretal por ano. A incidência é equilibrada entre homens (49,4%) e mulheres (50,6%). Atualmente, o cenário é agravado pelo diagnóstico tardio: mais de 70% dos casos no Brasil são descobertos em estágios avançados, o que reduz as chances de cura e torna o tratamento mais complexo.

Dr. Levindo Tadeu ressalta que a prevenção deve começar cedo, com a realização da colonoscopia aos 45 anos para a população geral.

“Aqueles que tiveram casos na família, devem antecipar este exame de acordo com orientações específicas do médico. Após o primeiro exame, o acompanhamento deve seguir de acordo com os achados e o risco de cada paciente, podendo incluir nova colonoscopia ou exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes. É fundamental discutir com o médico qual é a melhor estratégia de rastreamento para cada caso. O rastreamento é comprovadamente eficaz na redução da mortalidade por câncer colorretal e, por isso, deve ser amplamente incentivado”, conclui o oncologista.

Hábitos saudáveis e alimentação como aliados na prevenção

O aumento dessa condição está associado, entre outros aspectos, ao envelhecimento populacional e às transformações nos hábitos de vida. A baixa ingestão de fibras, o consumo recorrente de carnes processadas, o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas contribuem para elevar o risco de desenvolvimento do tumor.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica alimentos como salsicha, bacon, presunto e linguiça como carcinogênicos, enquanto o alto consumo de carnes vermelhas é apontado como provavelmente carcinogênico. Além disso, o consumo de alimentos ultraprocessados também tem chamado a atenção de especialistas. De acordo com uma pesquisa recente publicada na revista científica The Lancet, o consumo desses produtos mais que dobrou no Brasil desde os anos 1980, passando de 10% para 23%.

Por outro lado, a adoção de hábitos saudáveis pode ajudar na prevenção. De acordo com o Dr. Enilton Monteiro Machado, médico e professor de coloproctologia do curso de Medicina da Afya Centro Universitário Itaperuna, o câncer colorretal tem forte relação com fatores ambientais e com o estilo de vida. “Uma alimentação rica em fibras, frutas e vegetais, aliada à prática regular de atividade física, por exemplo, pode diminuir de forma importante a probabilidade de desenvolver o câncer colorretal”, destaca o especialista.