O Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio, reforça a importância desses insetos para a preservação dos ecossistemas e para o equilíbrio ambiental. A data também coloca em destaque o mel, alimento reconhecido pela versatilidade e pelos benefícios nutricionais, além de seu impacto econômico para os produtores e para toda a cadeia da apicultura.
Impulsionado pela valorização do produto no mercado internacional, o Brasil ocupa hoje a quarta colocação entre os maiores potenciais exportadores de mel do mundo, com receita estimada em aproximadamente US$ 110 milhões em 2025, segundo a Sociedade Nacional de Agricultura. Em contrapartida, o consumo doméstico ainda segue abaixo da média global: enquanto o brasileiro consome cerca de 60 gramas de mel por ano, a média mundial chega a 240 gramas por habitante.
A nutróloga e professora da Afya Itajubá, Vanessa Cambraia, comenta que o mel é um alimento natural com propriedades nutricionais e funcionais que podem trazer benefícios à saúde. “É composto principalmente por carboidratos naturais, como frutose e glicose, que fornecem energia rápida ao organismo. Também contém pequenas quantidades de vitaminas e minerais, como vitaminas do complexo B, vitamina C, cálcio, potássio, fósforo, magnésio e ferro, além de compostos bioativos como flavonoides e fenóis, associados a efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios. Sua composição pode variar conforme a flor de origem e o tipo de abelha”.
Entre 2015 e 2023, a produção de mel no Brasil registrou crescimento de 69,5%, chegando a 64,1 mil toneladas anuais, conforme dados divulgados em 2026 pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O avanço reforça a presença do país no cenário internacional, onde já ocupa a 11ª posição no ranking mundial de produtores de mel da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), apesar da liderança de países como China, Turquia, Irã e Argentina.
Para estimular o consumo interno, o setor tem apostado em produtos de maior valor agregado, como mel de floradas específicas e meliponíneos produzidos por abelhas nativas sem ferrão como Jataí, Uruçu-nordestina e Mandaçaia, valorizados por sua raridade e perfis sensoriais únicos.
A nutróloga destaca que os diferentes tipos de mel produzidos no Brasil possuem características próprias. Segundo a médica, o mel tradicional, obtido principalmente da abelha Apis mellifera (abelha africanizada), costuma apresentar sabor mais doce, textura mais viscosa e menor teor de água. Já o mel das abelhas nativas sem ferrão se diferencia pelo sabor mais ácido, consistência mais líquida e composição menos padronizada.
O mercado internacional ampliou a demanda pelo mel brasileiro em 2024. Ao longo do ano, o país exportou 37,9 mil toneladas do produto, resultado que representa um avanço de 32,8% em comparação com 2023. Os Estados Unidos mantiveram a liderança entre os principais compradores, respondendo por quase 80% do volume embarcado, enquanto o Canadá se destacou ao ultrapassar a Alemanha no ranking de importadores, com crescimento de 120,6% nas aquisições.
Importância para o ecossistema brasileiro
Diferente da produção comercial focada na Apis mellifera (abelha africanizada), a meliponicultura foca em espécies indígenas que são fundamentais para a preservação da biodiversidade das florestas tropicais. Com mais de 300 espécies catalogadas, essas abelhas realizam um trabalho de polinização essencial para a flora nativa, gerando renda sustentável para populações locais.
O biólogo e professor da Afya Contagem, André Luiz Zaidan, informa que as abelhas são essenciais porque realizam a polinização, transportando pólen entre flores e possibilitando a fecundação das plantas e a formação de frutos e sementes, especialmente nas angiospermas.
“Ecologicamente, isso contribui para a manutenção da diversidade vegetal, o que sustenta outros organismos, como aves, mamíferos, insetos, répteis e microrganismos. Assim, as abelhas influenciam toda a rede ecológica associada às plantas que polinizam. Na agricultura, muitas culturas dependem total ou parcialmente dessa polinização, como maçã, melão, abóbora, café, amêndoa, morango, tomate, maracujá e cacau. Mesmo quando não há dependência total, a polinização melhora a quantidade, qualidade e uniformidade dos frutos”.
O docente ainda destaca que elas favorecem a manutenção de florestas, campos, cerrados, áreas agrícolas e jardins urbanos. “Ao promoverem a reprodução das plantas, as abelhas contribuem para a conservação do solo, o sequestro de carbono, a estabilidade climática local e a manutenção de recursos para inúmeras espécies”, conclui o docente.
