Neste dia 24 de abril, é celebrado o Dia Internacional do Milho, uma data que ganha contornos especiais no Brasil em 2026. Muito além de sua importância econômica, o cereal se consolida como um pilar essencial da segurança alimentar e do bem-estar. De acordo com o 7º Levantamento de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado neste mês, o país se prepara para colher uma safra recorde de 356,3 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2025/26.
Desse total, o milho reafirma seu protagonismo com uma produção estimada em 139,6 milhões de toneladas, garantindo que este superalimento continue acessível e presente na mesa de milhões de brasileiros. A primeira safra registrou uma expansão em sua área semeada, chegando a 4,1 milhões de hectares e uma colheita estimada em 28 milhões de toneladas. Já a segunda safra, conhecida popularmente como “safrinha”, projeta 109,1 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como um dos maiores produtores mundiais.
O nutricionista e professor da Afya São João Del Rei, Dr Márcio Augusto Trindade, explica que em relação ao consumo, alguns grupos devem ter atenção especial. “Pessoas com diabetes precisam considerar a quantidade ingerida, devido ao teor de carboidratos. Indivíduos com sobrepeso ou em processo de emagrecimento também devem moderar o consumo para evitar excesso calórico. Já pessoas com sensibilidade gastrointestinal podem precisar avaliar a tolerância às fibras. De modo geral, o milho pode fazer parte da alimentação de todos, desde que respeitadas as necessidades individuais”.
Uma análise da consultoria StoneX aponta que o consumo brasileiro segue em crescimento, tendo atingido a marca de 91 milhões de toneladas em 2025, um salto de 6,5 milhões de toneladas em relação a 2024. Com a produtividade média nacional projetada pela Conab em 4.276 quilos por hectare, o Brasil consolida sua capacidade tecnológica e climática para manter o milho como um elemento central para o desenvolvimento sustentável e a saúde da população.
“O milho pode ser inserido de forma equilibrada como fonte de carboidrato nas refeições. Pode ser consumido cozido, em saladas, sopas ou como acompanhamento. O ideal é utilizá-lo como substituto de outros carboidratos, como arroz ou batata, e não como um acréscimo à refeição, mantendo o equilíbrio de carboidratos e o aporte energético da dieta diária”, complementa o especialista.
Quais são os principais benefícios para a saúde ?
A médica e professora de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica Montes Claros, Dra Juliana Couto Guimarães, informa que o milho é um alimento energético e funcional, com diferentes nutrientes que contribuem para o bom funcionamento do organismo. Entre seus principais benefícios, destacam-se:
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Fonte de energia e vitaminas: o milho é rico em carboidratos complexos, que fornecem energia de forma gradual ao organismo, contribuindo para a manutenção das atividades diárias. Ele fornece vitaminas do complexo B, importantes para o metabolismo energético, além de minerais como magnésio e fósforo, que participam de funções metabólicas e estruturais do organismo.
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Ação no intestino: por conter fibras alimentares, auxilia no bom funcionamento intestinal, favorecendo o trânsito intestinal e auxiliando na prisão de ventre.
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Saúde ocular: possui compostos bioativos como carotenoides, especialmente luteína e zeaxantina, que estão associados à proteção da saúde dos olhos e à prevenção da degeneração macular relacionada à idade.
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Controle glicêmico e proteção do organismo: as fibras também contribuem para o controle da glicemia, enquanto os antioxidantes ajudam a reduzir o estresse oxidativo.
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Alternativa sem glúten: por ser naturalmente isento de glúten, pode ser consumido por pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten.
“Um ponto interessante é que o milho possui maior biodisponibilidade de alguns antioxidantes após o cozimento. Diferente do que muitos imaginam, o calor pode aumentar a liberação de carotenoides como a luteína, tornando-os mais disponíveis para absorção pelo organismo. Isso reforça que nem todo alimento perde valor nutricional ao ser cozido,em alguns casos, como o do milho, determinados compostos podem até se tornar mais aproveitáveis”, conclui a nutróloga da Afya.
