CES manifesta solidariedade aos municípios atingidos pelas chuvas

O Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA) manifesta solidariedade às populações dos municípios atingidos pelas fortes chuvas que têm provocado alagamentos, enxurradas e decretos de situação de emergência em diversas cidades do estado. Diante do cenário de alerta meteorológico e dos impactos já registrados, o conselho reforça a importância da adoção imediata de medidas de prevenção para evitar o aumento de doenças relacionadas a esses eventos climáticos.

Foto: Matias Barbosa

Os problemas enfrentados nas últimas semanas pela população baiana ampliam significativamente os riscos à saúde pública, sobretudo em contextos de vulnerabilidade social e precariedade de saneamento básico. A exposição à água contaminada favorece a ocorrência de leptospirose, transmitida pelo contato com água ou lama contaminada, além de hepatite A, febre tifoide e diarreias agudas, associadas à ingestão de água e alimentos contaminados. Também há risco de tétano em casos de ferimentos provocados por objetos perfurocortantes expostos nas áreas alagadas, bem como aumento de doenças de pele, conjuntivites e infecções respiratórias decorrentes das condições de abrigo.

No período posterior às chuvas intensas, a preocupação se estende ao aumento das arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, em razão do acúmulo de água parada que favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

O CES orienta que a população evite contato direto com a água de enchente e, caso seja necessário realizar limpeza de residências ou estabelecimentos, utilize botas e luvas de proteção. É fundamental consumir apenas água tratada, higienizar adequadamente os alimentos e descartar produtos que tenham tido contato com a água contaminada. Além de reforçar a importância de manter a vacinação em dia, especialmente contra tétano, hepatite A, influenza e Covid-19, conforme o calendário vacinal e as recomendações das autoridades sanitárias. A atualização da caderneta é uma das principais estratégias para reduzir complicações e óbitos evitáveis em situações de desastre.

Além dos impactos diretos sobre a saúde humana, as enchentes também provocam danos à fauna e flora, afetando ecossistemas locais, contaminando cursos d’água e aumentando o desequilíbrio ambiental que repercute na saúde coletiva.

As medidas preventivas estão alinhadas ao Plano Setorial da Saúde para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas da Bahia, instrumento que orienta as ações do Sistema Único de Saúde no estado para prevenir, preparar, responder e recuperar-se dos impactos decorrentes de eventos climáticos extremos. O documento, disponível no site da secretaria de saúde, estabelece diretrizes para o fortalecimento da vigilância epidemiológica e ambiental, sistemas de alerta precoce, proteção de populações vulnerabilizadas e integração da rede de atenção à saúde diante de emergências climáticas.

Para o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Marcos Sampaio, o momento exige mobilização permanente do poder público e da sociedade. “É fundamental que todos os esforços estejam voltados para salvar vidas e proteger a população. As ações precisam assegurar assistência à saúde, acesso à alimentação e cuidado integral às pessoas afetadas. O enfrentamento desses eventos exige responsabilidade, coordenação e prioridade absoluta à vida”, afirmou.

O CES continuará atento à evolução do cenário, acompanhando as informações oficiais e reforçando a importância de que todas as medidas adotadas tenham como foco a proteção da população e a garantia do direito à saúde. Em caso de sintomas como febre, dores no corpo, diarreia persistente, vômitos, manchas na pele ou sinais de infecção em ferimentos, a orientação é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima.