Foto: @studiobenedito
A agenda inclui oficina prática de escarificação em argila, visita mediada pelas quase 50 obras da mostra e um debate com as pesquisadoras Nathalia Grilo e Ana Paula Alves Ribeiro sobre a relação entre corpo, escultura e ancestralidade.
O ponto alto das atividades é a oficina “Escarificando”, onde o artista translada para a prática pedagógica as técnicas de incisão presentes em sua obra. Inspirado por culturas do continente africano — como os povos Bodi (Etiópia) e Nuer (Sudão do Sul) —, Daniel propõe o deslocamento da marca da pele para a matéria. “A pedra carrega a ideia de permanência. Ao escarificá-la, inscrevemos o que historicamente tentaram apagar: a presença negra como estrutura do espaço”, explica o artista. A atividade culminará na criação de um mural coletivo em argila, transformando gestos individuais em um corpo expandido de memória compartilhada.
No sábado (11), a discussão ganha contornos teóricos e críticos com um bate-papo entre Daniel e as pesquisadoras Nathalia Grilo e Ana Paula Alves Ribeiro. Grilo, especialista em imaginação radical negra e curadora, e Ribeiro, antropóloga e coordenadora do Museu Afrodigital RJ, trazem suas perspectivas sobre como a prática escultórica de Daniel tensiona a neutralidade dos espaços urbanos e rurais, revelando-os como campos de disputas simbólicas e políticas.
A programação é um convite para entender o corpo não apenas como anatomia, mas como ferramenta de orientação — uma bússola que aponta para identidades, linhagens e a firme ocupação do território através da arte.
Sobre a exposição
Com curadoria de Thais Darzé, “Geografias de um Corpo Bússola” reúne cerca de 50 obras de Daniel Jorge, entre esculturas, instalações e performances, que utilizam materiais de forte carga simbólica, como pedra-sabão, couro curtido e ferro oxidado, para investigar as interseções entre corpo, território e memória. O projeto apresenta o corpo como um dispositivo sensível de orientação, capaz de redesenhar cartografias e reconhecer apagamentos históricos por meio de um diálogo profundo com a matéria. A mostra fica aberta à visitação até 19 de abril, na CAIXA Cultural RJ.
SERVIÇO
PROGRAMAÇÃO PARALELA DA EXPOSIÇÃO “GEOGRAFIAS DE UM CORPO BÚSSOLA”
- 09/04 (Quinta), 14h | Oficina “Escarificando”, com Daniel Jorge: Reflexão teórica e prática sobre o gesto de inscrever memórias na pedra e na argila. Inscrições gratuitas via https://bit.ly/Escarificando (vagas limitadas).
- 10/04 (Sexta), 14h | Visita Mediada: Percurso guiado por Daniel Jorge pelas cerca de 50 obras da exposição. Aberto ao público (sujeito à lotação).
- 11/04 (Sábado), 11h | Bate-papo: Encontro com Daniel Jorge, Nathalia Grilo e Ana Paula Alves Ribeiro sobre corpo, escultura e território. Aberto ao público (sujeito à lotação).
SERVIÇO DA EXPOSIÇÃO:
Geografias de um Corpo Bússola
Daniel Jorge
- Visitação até 19 de abril
- CAIXA Cultural Rio de Janeiro
- R. do Passeio, 38 – Centro, Rio de Janeiro
- Horário: Terça a sábado, 10h às 20h. Domingos e feriados, 11h às 18h.
- Classificação: Livre
- Entrada franca
- Informações: (21) 3083-2595 / @caixaculturalrj
- Patrocínio: CAIXA e Governo Federal
