“Brasileirão é obrigação.” A frase, estampada em um bandeirão que marcou a história recente da torcida do Flamengo, volta a fazer sentido em um momento de frustração para o torcedor rubro-negro. Eliminado da Libertadores pelo Estudiantes e da Copa do Brasil, anteriormente, pelo Vitória, o time de Leonardo Jardim não tem mais margem para desperdiçar a oportunidade de conquistar o Brasileiro. Agora, o título nacional deixou de ser apenas um objetivo: tornou-se a principal missão para evitar que a temporada termine com um gosto ainda mais amargo.

Todo torcedor do Flamengo sonha com a Libertadores. É a principal competição do continente, a oportunidade de ampliar a história do clube e a chance para disputar o Mundial de Clubes. O Rubro-Negro, maior campeão brasileiro do torneio, busca o pentacampeonato, enquanto o Palmeiras, ainda vivo na disputa, pode alcançar o tetra. A eliminação, portanto, não representa apenas a perda de um título e de uma premiação milionária. Significa também abrir mão de um confronto que poderia colocar frente a frente dois dos principais protagonistas do futebol brasileiro em mais uma decisão histórica.
Final cancelada contra o Palmeiras adia o tira-teima
Havia ainda o simbolismo de uma possível final contra o Palmeiras. O Flamengo venceu o rival na decisão de 2005, enquanto os paulistas levaram a melhor em 2021. Seria o tira-teima entre os clubes, em um cenário de rivalidade que ultrapassa as quatro linhas e envolve disputas políticas e institucionais. O encontro não vai acontecer. E o Palmeiras segue na busca por mais uma conquista continental.
Na Copa do Brasil, o cenário também é frustrante. A queda para o Vitória encerrou outra possibilidade de título e de arrecadação expressiva. Enquanto isso, o Palmeiras permanece na disputa e está na semifinal contra o Vasco. O contraste incomoda: o principal rival do Flamengo segue vivo em duas competições eliminatórias, enquanto o Rubro-Negro tem apenas o Brasileirão pela frente.
É nesse contexto que o campeonato nacional ganha um peso ainda maior.
O Flamengo lidera com 67 pontos, apenas um à frente do Palmeiras, que soma 66. A vantagem é mínima, e a disputa promete ser decidida jogo a jogo. Os dois ainda se enfrentam em São Paulo, no dia 21 de novembro, em um confronto direto que pode ser determinante para o desfecho da competição.
O caminho rubro-negro, porém, está longe de ser simples. Atlético-MG, Vasco, Grêmio, Athletico e o próprio Palmeiras estão entre os desafios pela frente. Não haverá espaço para acomodação, muito menos para repetir as falhas que custaram a classificação na Libertadores. O Flamengo precisará demonstrar regularidade, eficiência e força mental para suportar a pressão até a última rodada.
A obrigação não significa que o título esteja garantido ou que a conquista seja simples. Significa reconhecer o tamanho do investimento, da expectativa criada e da responsabilidade de um elenco montado para disputar tudo. Depois de duas eliminações, o torcedor tem motivos para estar frustrado. E não basta apenas lamentar a queda: é preciso transformar a decepção em resposta dentro de campo.
O Flamengo ainda pode terminar o ano campeão brasileiro. Mas, para isso, terá de provar que as eliminações foram um ponto de virada, e não o retrato de uma temporada abaixo do esperado.
O bandeirão voltou à memória por um motivo. Brasileirão é obrigação. E, agora, não há outro caminho para o Flamengo transformar a frustração em resposta.
Por Lucas Bayer



