Autora brasileira escreve livro inteiro à mão sobre a importância da escrita manual

Foto: Damaris Pedro


O texto escrito à mão como estratégia de crescimento e memória. É a partir desta premissa que a especialista em empreendedorismo e liderança Terezinha Gnoatto lança, em 2026, o livro O despertar da mente singular: como expandir a inteligência e a criatividade através da escrita à mão, obra que propõe um contraponto à aceleração digital e resgata o papel da caneta como ferramenta de organização do pensamento, fortalecimento cognitivo e desenvolvimento estratégico. O livro nasceu de um processo incomum: foi integralmente escrito à mão antes de ser digitalizado, editado, diagramado e publicado.

Marcada por respostas instantâneas e consumo fragmentado de informação, Terezinha questiona: “O mundo está acelerado ou está nos acelerando?”. Para a autora, o excesso de estímulos tecnológicos gera sobrecarga mental, perda de atenção e desconexão da própria inteligência. “É como se a mente estivesse vazia, quando, na verdade, está entulhada de informações desconexas”, afirma. Segundo a autora, o ato de “pensar à mão” reconecta o indivíduo à própria fonte criativa e crítica, devolvendo a sua autonomia.

Segundo o IBGE (2023), mais de 90% dos adolescentes no Brasil usam a internet diariamente e passam cerca de quatro horas por dia consumindo conteúdos audiovisuais. Em 2024, o Dicionário Oxford elegeu “brain rot” como Palavra do Ano, termo que descreve a suposta deterioração mental causada pelo consumo excessivo de conteúdos superficiais nas redes. Embora o termo seja popular, pesquisas publicadas em revistas como JAMA Pediatrics e Journal of Adolescent Health já associam o uso excessivo de telas à fragmentação da atenção, pior qualidade do sono e dificuldades de concentração para o resto da vida.

Em contraste com essa realidade digita, histórias como a de Madalena Ferreira da Rocha mostram outro caminho possível. Aos 82 anos, moradora da região rural de Tijucas do Sul (PR), ela estudou apenas até o 3º Ano do Ensino Fundamental. A vida no campo a fez abandonar a escola ainda criança. Mesmo assim, nunca deixou de escrever. Em seus cadernos, guarda receitas, poemas, canções e pensamentos do dia, um exercício simples que mantém sua mente ativa, organizada e presente.

Ex-cuidadora de idosos, alega que já viu muitas pessoas perderem a autonomia e ficou com medo. “Quando escrevo, parece que estou cuidando de mim. Exercito a cabeça, o coração e até a fé. É muito raro passar um dia sem escrever alguma coisa”, completa.

No Brasil, a doutora em Saúde Pública Rosângela Haydem, pesquisadora na área de prevenção do Alzheimer, destaca que a escrita manual ativa regiões pré-frontais responsáveis pela atenção e pelo planejamento. “Quem escreve aprende e retém muito mais do que quem apenas assiste ou escuta. Escrever à mão pode ser um exercício diário para fortalecer a memória”, define.

Além da dimensão neurológica, O despertar da mente singular aborda a escrita como ferramenta estratégica para empreendedores e líderes. Terezinha sustenta a ideia de que que muitos fracassos não decorrem da falta de mercado ou dinheiro, mas da incapacidade de organizar o próprio pensamento. “Estratégias não escritas tendem ao fracasso. Sem materializar ideias no papel, prevalece um pensamento enganador e imediatista”, provoca.

A obra também dialoga com a tradição dos diários e da escrita terapêutica, que defendem o registro como forma de clareza emocional e autoconhecimento. Ao visualizar pensamentos no papel, o indivíduo identifica padrões, excessos e decisões impulsivas, criando base concreta para transformação pessoal e profissional.

Mais do que um elogio ao analógico, o livro provoca um desconforto inicial: a constatação de que muitos estão terceirizando o controle da própria vida para a velocidade das telas e às respostas previsíveis das inteligências artificiais. Para Terezinha, se não aprendermos a ver nossos pensamentos no papel, corremos o risco de integrar uma consciência coletiva automatizada e acrítica. O despertar da mente singular será publicado no primeiro semestre de 2026. Novidades e atualizações sobre a obra podem ser acompanhadas pelo Instagram @gnoattoterezinha.

Trecho da obra: “Eu precisava indicar uma maneira de vencer os obstáculos ou desafios da vida, quaisquer que sejam. Tinha que dar uma orientação fácil e simples, porém de valor inestimável. E mais: o processo, utilizando a escrita à mão, contribui, como jamais pensado, para o desempenho e sucesso de uma pessoa, seja na carreira profissional ou no equilíbrio emocional”

Serviço:

Livro: O despertar da mente singular – Como expandir a inteligência e a criatividade através da escrita à mão
Autora: Terezinha Gnoatto
Previsão de lançamento: maio de 2026
Cidade: Curitiba (PR)
Formato: livro impresso, 196 páginas.
Mais informações e atualizações: Instagram @nafolhaembranco