A história da camisa de Maradona feita no improviso

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Nesta segunda-feira (13), a Fifa definiu que a Argentina vai jogar a semifinal da Copa do Mundo 2026, contra a Inglaterra, com sua “camisa da sorte”: o uniforme dois azul escuro.

A peça faz parte da mística do futebol argentino, já que foi vestida nas vitórias da Albiceleste sobre os britânicos nos Mundiais de 1986, no México, e 1998, na França (triunfo nos pênaltis após empate no tempo normal).

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Já em 2002, quando se enfrentaram pela última vez em um Mundial, os argentinos entraram em campo com o uniforme 1, listrado, enquanto os ingleses fardaram a 2ª camisa, vermelha. O resultado? 1 a 0 para os europeus, com gol de David Beckham.

Justamente por isso, o time comandado por Lionel Scaloni fez um pedido à Fifa para que pudesse vestir seu equipamento alternativo, como antecipou a ESPN. Horas depois, veio a confirmação por parte da entidade máxima do futebol.

Dessa forma, o time sul-americano jogará inteiro de azul escuro, enquanto o uniforme britânico será branco na totalidade.

A história de como a “camisa da sorte” da Argentina foi criada, aliás, beira o surrealismo…

Improviso e e escudos recortados

Em 22 de junho de 1986, Argentina e Inglaterra disputarariam as quartas da Copa do Mundo do México sob um clima de enorme tensão, já que ainda estavam abertas as feridas deixadas pela Guerra das Malvinas, ocorrida em 1982.

Faltando menos de 48 horas para o clássico, o técnico Carlos Bilardo se mostrou incomodado com a forma como o uniforme 2 escuro que a delegação tinha levado era muito quente e grudava no corpo dos jogadores com o calor da Cidade do México.

Em busca de uma solução desesperada, ele mandou chamar Rúben Moschella, famoso “faz-tudo” da Federação Argentina, e o histórico roupeiro Tito Benros, pedindo à dupla que surgisse com algo que facilitasse a transpiração dos atletas.

“Ele pediu uma tesoura, dobrou uma camiseta e começou: ‘tac, tac, tac’, fazendo buracos na camisa. Quando abriu, ela estava cheia de espaços vazados”, relembrou Moschella, em entrevista à ESPN Argentina.

No entanto, o alto comando da Federação Argentina e da Fifa vetaram as camisas com buracos, e Moschella e Benros tiveram que ir às ruas da capital mexicana em busca de uma solução: “Deem um jeito e consigam de alguma forma um jogo de camisas azuis escuras menos quentes”, pediu Bilardo.

Veio então, a sugestão do goleiro Héctor Zelada, que atuava pelo América do México e conhecia bem a cidade: a dupla teria que ir até o bairro de Tepito, considerado um dos mais perigosos do município, que era aonde ficavam várias tecelagens.

Foi lá que Moschella e Benros encontraram duas opções: uma com tecido mais grosso e similar ao que a Argentina já tinha levado para o México, e outra mais fina, mas com uma cor mais brilhante – algo que não agravada Carlos Bilardo.

Em meio à indecisão, surgiu o capitão Diego Armando Maradona, que referendou a escolha pela segunda opção, mesmo a contragosto do supersticioso treinador.

“Essa é muito bonita, Carlos. Com essa aqui, vamos ganhar”, disse o 10.

O problema era que os uniformes não tinham os números e nem os escudos da seleção argentina. Dessa forma, novamente Zelada foi acionado para fazer um pedido de “empréstimo” às roupeiras do América do México para que cedessem os algarismos para as peças.

Os distintivos, por sua vez, foram recortados de camisas velhas de treinamento e bordados nos uniformes azuis comprados na Cidade do México. Como tudo foi feito às pressas, não houve tempo para muito capricho, e os louros de ouro que formavam parte dos distintivos foram “sacrificados”.

E foi com esse uniforme improvisado que Maradona cumpriu sua “promessa” a Bilardo e levou a Albiceleste à vitória sobre a Inglaterra, fazendo os dois gols mais famosos de sua carreira: a “Mão de Deus” e o tento em que sai driblando todo mundo até colocar a bola na rede.

Argentina e Inglaterra se enfrentam na quarta, às 16h (de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, com transmissão na Lully FM!

O vencedor dessa partida encara quem passar de França x Espanha, que duelam na terça-feira (14), também às 16h, no AT&T Stadium, em Dallas.

Chaveamento do mata-mata da Copa do Mundo

Tabela das semis da Copa do Mundo

Todos horários de Brasília

14 de julho, terça-feira

  • 16h – França x Espanha – AT&T Stadium (EUA)

15 de julho, quarta-feira

  • 16h – Inglaterra x Argentina – Mercedes-Benz Stadium (EUA)

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