Kiko
A menos de um mês do início da Copa do Mundo de 2026, a expectativa em torno do impacto econômico do torneio já mobiliza diferentes setores além do turismo. Estudo da U.S. Travel Association aponta que visitantes internacionais atraídos pelo evento pretendem gastar mais de US$5 mil por pessoa, valor 1,7 vez superior ao de viagens internacionais típicas aos Estados Unidos. Franco Scornavacca, conhecido como Kiko do KLB, empresário e fundador da MD1 Nexus, afirma que grandes eventos internacionais costumam criar movimentos econômicos antecipados que passam despercebidos por muitos empresários.
“Interpretar a Copa apenas sob a ótica do entretenimento ou do turismo é uma leitura limitada. Megaeventos internacionais mobilizam ecossistemas econômicos complexos, com impacto direto sobre consumo, logística, hospitalidade, mobilidade, eventos corporativos e serviços de alto valor agregado”, afirma.
Com mais de três décadas de atuação na construção de conexões empresariais entre Brasil e Estados Unidos, Kiko lidera a MD1 Nexus, empresa especializada em aceleração de negócios, conexões empresariais e expansão internacional. Segundo ele, empresários preparados conseguem interpretar esses movimentos como oportunidades estratégicas de posicionamento, relacionamento e geração de receita, especialmente quando a leitura vai além do impacto mais evidente.
“O fluxo econômico criado por um evento global não beneficia apenas quem está diretamente ligado ao turismo. Existe uma movimentação paralela de empresários buscando conexões, experiências estratégicas, reuniões, expansão comercial e aproximação com novos mercados. Quem entende isso cedo consegue construir vantagem competitiva”, diz.
O impacto econômico que acontece fora dos estádios
Embora a Copa naturalmente impulsione hotelaria, alimentação e transporte, o efeito econômico costuma alcançar setores menos óbvios. A preparação para grandes eventos internacionais mobiliza desde tecnologia, segurança, marketing e produção de experiências até operações empresariais voltadas ao relacionamento comercial.
A preparação dos países anfitriões ajuda a dimensionar esse efeito. Nos Estados Unidos, autoridades federais já trabalham com expectativa de receber entre 5 milhões e 7 milhões de visitantes internacionais durante a Copa, o que tem acelerado discussões sobre mobilidade, segurança, infraestrutura e capacidade operacional. No Canadá, o governo anunciou em abril a destinação de até 145 milhões de dólares canadenses para reforço da segurança pública nas cidades-sede, Toronto e Vancouver. No México, o Estádio Azteca, que receberá a abertura do torneio, passa por modernização para atender às exigências da FIFA. O movimento evidencia como megaeventos pressionam simultaneamente cadeias ligadas a transporte, hospitalidade, serviços, tecnologia e operações.
Kiko afirma que empresários atentos enxergam nesses períodos uma oportunidade para acessar ecossistemas de negócios já aquecidos. “Não se trata apenas de vender durante o evento. Muitas oportunidades surgem antes e continuam depois. O empresário que participa desses movimentos com estratégia consegue abrir portas, fortalecer networking e acelerar decisões comerciais”.
Antecipação como vantagem competitiva
Embora Orlando não seja cidade sede da Copa de 2026, Kiko afirma que a região historicamente funciona como termômetro relevante para movimentos ligados a turismo internacional, consumo e experiências corporativas, oferecendo sinais antecipados sobre comportamento de demanda e oportunidades empresariais.
“Empresários que operam internacionalmente aprendem a observar os movimentos antes do pico. Oportunidade raramente aparece apenas quando todo mundo já está olhando. Ela começa quando surgem os primeiros sinais de deslocamento econômico”, afirma.
Segundo ele, esse tipo de leitura vale para qualquer grande acontecimento global, de eventos esportivos a feiras internacionais, convenções corporativas e encontros setoriais. “A lógica é sempre parecida. Onde existe concentração de fluxo, atenção global e circulação de capital, existem oportunidades paralelas para quem sabe se posicionar”.
Para Kiko, o diferencial está menos no evento em si e mais na capacidade empresarial de antecipação. “Os negócios mais estratégicos nem sempre nascem da demanda óbvia. Muitas vezes surgem conexões construídas ao redor dela”.
