Foto: Leo Franco/AgNews
O Acadêmicos do Salgueiro anunciou, na madrugada desta segunda-feira (25), o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. Com o título “Laroyê Xica da Silva: a história por trás da história”, a vermelho e branco da Tijuca promete revisitar uma das personagens mais emblemáticas da cultura brasileira a partir de novas descobertas históricas e reflexões sobre os mitos construídos em torno de sua imagem.

A proposta do desfile nasce da pesquisa de mestrado do enredista Leonardo Antan e ganha força após a divulgação pública, em 2025, do testamento de Francisca da Silva Oliveira pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O documento trouxe novas informações sobre a mulher real por trás da personagem eternizada em novelas, filmes e até mesmo do desfile de 1963 do Salgueiro, ampliando o debate sobre os estereótipos que marcaram sua representação ao longo das décadas.
Segundo o Salgueiro, o desfile irá explorar justamente as fronteiras entre a figura histórica e o imaginário popular criado em torno de Xica da Silva, personagem que se tornou símbolo de transgressão, liberdade e resistência feminina. Na proposta da escola, Xica será apresentada a partir do arquétipo das pombas-giras, entidade das encruzilhadas, ligada à força feminina, à irreverência e à quebra de padrões sociais. O desfile propõe um paralelo entre a trajetória da personagem e essa potência simbólica que atravessa o imaginário afro-brasileiro.
“O Salgueiro terá a oportunidade de revisitar a história de uma de suas personagens mais importantes e ressignificá-la. Com a descoberta do testamento de Francisca da Silva, vamos conhecer a mulher por trás do mito construído. É o Salgueiro se reencontrando com suas grandes narrativas, colocando em destaque a negritude, ancestralidade e resistência cultural”, afirma o carnavalesco Jorge Silveira.
Para o enredista Leonardo Antan, a história da Xica revela também o poder de uma escola de samba na cultura brasileira. “Foi o Salgueiro que transformou essa personagem em referência mundial ao apresentá-la no histórico desfile de 1963”.
Com o anúncio, a Academia do Samba reafirma sua histórica trajetória de valorização das narrativas negras. Neste carnaval, a escola volta seu olhar para a força da mulher negra brasileira, exaltando sua potência, ancestralidade e capacidade de romper estruturas sociais através da arte, da cultura e da resistência.
