Dia Mundial da Hipertensão: quase um terço dos brasileiros sofrem com a doença

Dia Mundial da Hipertensão Arterial


No próximo 17 de maio, o Dia Mundial da Hipertensão Arterial chama atenção para uma doença que segue avançando no Brasil e no mundo. Considerada um dos principais fatores de risco para infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), insuficiência renal e outras doenças cardiovasculares, a hipertensão atinge milhões de pessoas e reforça a necessidade de hábitos saudáveis, especialmente a prática regular de atividade física.

No Brasil, dados divulgados no início do ano pelo Ministério da Saúde, e reunidos pelo sistema Vigitel entre o período de 2006 até 2024, apontam aumento expressivo no número de adultos diagnosticados com hipertensão arterial ao longo das últimas décadas. A pesquisa revelou que a prevalência saltou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, atingindo quase um terço da população adulta.

O cardiologista e professor da Afya Ipatinga, Dr Norberto de Sá Neto, esclarece que o aumento está diretamente relacionado às mudanças nos hábitos de vida e ao comportamento da sociedade como um todo.

“A população está mais obesa e mais sedentária. Além disso, o cigarro ainda representa um grande problema de saúde pública em todo o mundo. No Brasil, houve um período em que o tabagismo esteve mais controlado, mas, infelizmente, ele voltou a crescer nos últimos anos, inclusive com a popularização do cigarro eletrônico. Existe uma relação direta entre sedentarismo, obesidade e hipertensão: quanto maior o sedentarismo, maior a obesidade; e quanto maior a obesidade, maior o risco de hipertensão arterial”, afirma o médico.

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2024, cerca de 1,4 bilhão de pessoas conviviam com pressão arterial elevada em todo o planeta. Apesar da gravidade do cenário, apenas uma em cada cinco pessoas consegue manter a condição sob controle. O estudo analisou informações de 195 países e revelou ainda que 99 nações apresentam taxas de controle da hipertensão inferiores a 20%.

Dr Norberto de Sá informa que quando pensamos em hipertensão arterial, as complicações mais importantes estão relacionadas ao coração, aos rins e ao cérebro.

No que se refere ao coração, a pressão alta faz com que o órgão trabalhe de forma excessiva. Com isso, o ele pode aumentar de tamanho e ficar mais espesso, como se estivesse “musculoso”, mas de maneira prejudicial. Ao longo do tempo, esse crescimento pode levar à dilatação do coração e comprometer seu funcionamento.

Já em relação aos rins, a hipertensão descontrolada pode causar a chamada nefropatia hipertensiva, que é uma doença renal secundária à pressão alta. Essa condição pode evoluir para doença renal crônica e, em casos mais graves, levar até à necessidade de hemodiálise.

Entre as condições cerebrovasculares, destaca-se o AVC hemorrágico. Embora o AVC isquêmico seja o mais frequente, representando cerca de 80% a 85% dos casos, pacientes com hipertensão descontrolada têm maior risco de sofrer um AVC hemorrágico. Isso ocorre porque a pressão alta enfraquece e danifica as paredes dos vasos sanguíneos do cérebro ao longo do tempo.

Exercício como aliado do controle da pressão arterial

Uma pesquisa publicada no Journal of the American Heart Association, aponta que exercícios realizados com maior intensidade e regularidade podem reduzir em até 36% o risco de morte por doenças cardiovasculares. A professora de Medicina do Esporte da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dra Déborah Prado, comenta que a prática regular de exercícios melhora a parte metabólica, facilitando a ação da insulina, aumentando a captação de glicose e auxiliando no controle do colesterol e dos triglicerídeos.

“As substâncias produzidas durante o exercício permanecem ativas por várias horas no organismo, favorecendo a dilatação dos vasos sanguíneos e, consequentemente, contribuindo para a redução da pressão arterial. Em muitos casos, os benefícios do exercício podem ser superiores ao uso isolado de medicamentos. Por isso, a atividade física faz parte do tratamento da hipertensão, tanto por ajudar a reduzir a pressão arterial quanto por regular diversos fatores metabólicos relacionados à doença”, afirma Déborah Prado.

No Brasil, a prática da atividade física, de pelo menos 150 minutos semanais, aumentou de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024, de acordo com o Ministério da Saúde. Dra Déborah ressalta que o ideal é realizar 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos de intensidade moderada, conforme recomendado pela OMS.

“Exercícios aeróbicos como caminhada, bicicleta, natação, corrida ou remo, além de 2 a 3 sessões semanais de exercícios resistidos, como a musculação. A combinação dessas modalidades é a mais indicada, pois potencializa os benefícios e otimiza o controle da pressão arterial. Uma ótima estratégia são os treinos funcionais, que combinam diferentes capacidades físicas em uma mesma sessão de treinamento, tornando a prática mais dinâmica e completa. A melhor estratégia é sempre aquela que favorece maior aderência e continuidade a longo prazo”, conclui a docente da Afya.