O show de Shakira em Copacabana, como parte do evento anual “Todo Mundo No Rio”, foi um êxito total. Depois de muito falatório sobre sua escalação, a colombiana provou que era merecedora de estar no “altar do planeta”, como ela diz. Não que nenhuma das dois milhões de pessoas na areia da noite de 2 de maio duvidasse. Em casa, sim.
Li comentários negativos de quem viu o show pela TV. Na praia, o clima foi de festa, satisfação e astral renovado a cada hit reconhecido. E, no fim das contas, um show se faz ali, na troca de energia, no ritual da experiência coletiva. Não na filtragem de telas. Isso está fora de discussão.
Shakira trouxe o show da “Las Mujeres Ya No Lloran World Tour”, que estreou justamente no Rio de Janeiro no ano passado. Não era uma novidade pros fãs, e ela sabia disso. Talvez por isso, a cantora tenha se esforçado para tornar a noite única – e conseguido – com participações de Anitta, Caetano Veloso, Maria Bethânia (um dueto descompassado no começo, é preciso dizer) e Ivete Sangalo (esta última, um show à parte: impressionante sua capacidade de conduzir multidões). A sensação foi a de assistir a algo especial e irrepetível. Histórico mesmo. Uma noite para ser lembrada no futuro.
A estrela mundial subiu no palco com uma hora de atraso, depois de um show de drones que formaram sua silhueta, o rosto de uma loba e a frase “Brasil, amo vocês” no ar. Shakira manteve a setlist da turnê, testada e aprovada no mundo inteiro. A tour já havia quebrado uma série de recordes e agora adicionou mais um à lista – o de maior público da carreira da cantora. O número de dois milhões de pessoas foi confirmado pela Prefeitura do Rio.
“É um sonho pra mim estar vivendo isso. Acho que a vida tem maneiras de recompensar a gente. Nós, mulheres, cada vez que caímos levantamos um pouco mais fortes, mais resilientes. Porque as mulheres já não choram! Por isso, esse show vai ser dedicado pra todas nós”, ela disse, em bom português, como tudo que falou no palco.
Show competente de A-list do pop mundial
Shakira canta impecavelmente, dança sozinha e com bailarinos, toca guitarra e faz incontáveis trocas de roupas (abusa um bocado de interlúdios digitais, que em geral baixam a energia do público). Zera o checklist do que se espera de um show pop de alto nível. Mas vai além na conexão com o público. Importam menos todas as roupas que ela personalizou de verde, amarelo e azul do que suas interações. Ela acena, sorri e manda beijo para quem está na frente e discursa para a multidão como uma velha amiga.
A estrela do pop mundial (não apenas latino) não é uma diva. Nem quer ser. Ela mostra interesse em ser uma amiga. Quando fala dos milhões lares comandados por mães solteiras no Brasil e ressalta que este também é o caso dela, é como se desse a mão para cada pessoa na plateia. Ela se coloca lado a lado. Uma parceira. E esse é um diferencial e tanto da artista.
Muito se duvidou que Shakira desse conta de atrair uma multidão a Copacabana. Ela atraiu, fez o mar de gente cantar em espanhol e retribuiu com a nata da MPB. Sem dúvida, elevou o sarrafo para a próxima atração do “Todo Mundo no Rio” em 2027, assim como suas antecessoras Madonna e Lady Gaga. Vai ser difícil para quem vier a seguir.
Fonte Terra
