Justin Bieber
Justin Bieber tem a música mais ouvida do planeta neste momento, mas não ganha um único centavo com isso.
Após seu aguardado retorno aos palcos no Coachella , o cantor canadense viu “Beauty And A Beat (feat. Nicki Minaj)” disparar para o topo do Spotify Global — tornando-se o artista número 1 do mundo na plataforma.
O problema? Ele vendeu os direitos de todo o seu catálogo em 2023 e não recebe nada pelos streams.
A apresentação no Coachella 2026 foi um evento de proporções épicas. Justin Bieber abriu o show de 90 minutos com 11 faixas dos álbuns “SWAG” e “SWAG II” (ambos de 2025), antes de entrar num interlúdio intimista: sentou-se com um notebook no palco e exibiu vídeos de arquivo da sua carreira — incluindo imagens de quando era criança e até um clipe em que trombava com uma porta de vidro.
Foi nesse momento nostálgico que ele revisitou hits como “Baby”, “Favorite Girl”, “That Should Be Me” e “Beauty And A Beat (feat. Nicki Minaj)”.
Os números foram absurdos: 21 músicas de Justin Bieber entraram no Spotify Global Top 200 — recorde para qualquer artista após uma apresentação no festival.
Seu catálogo ultrapassou 77 milhões de streams em um único dia, o maior número do ano. No Apple Music, o crescimento foi de 80%.
“Beauty And A Beat (feat. Nicki Minaj)” ficou no top 3 do ranking global, “Baby” em 12º e “DAISIES” em 16º.
O consumo do álbum “SWAG” nos EUA cresceu 80% na semana, com “DAISIES” no top 25 e “YUKON” no top 40 do Spotify Daily americano.
Mas toda essa avalanche de streams não rende nada ao popstar.
Em 2023, Justin Bieber vendeu seu catálogo completo para a empresa Hipgnosis Songs Capital por cerca de US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão).
O acordo incluiu 100% dos direitos autorais e royalties de artista de aproximadamente 290 músicas lançadas até dezembro de 2021 — tudo o que ele gravou antes dos álbuns “SWAG” e “SWAG II” agora pertence à Hipgnosis.
Segundo o TMZ, o cantor teria feito a venda porque “estava quebrado”. Seu ex-empresário Scooter Braun tentou convencê-lo de que era uma péssima ideia vender tão cedo na carreira, mas Justin Bieber seguiu em frente com a transação. O caso não é isolado: Britney Spears também vendeu seu catálogo recentemente.
Para completar a ironia, “Beauty And A Beat (feat. Nicki Minaj)” — a música que dominou as paradas globais — sequer é uma composição de Justin Bieber.
É a única faixa do álbum “Believe” (2012) que não leva a assinatura dele. Os compositores são Max Martin, Savan Kotecha, Zedd e Nicki Minaj, que também participa da faixa com um verso de rap.
Em 2016, o popstar revelou que gravou a música contra sua vontade, cedendo à pressão da gravadora, que apostava no potencial comercial da canção — e acertou em cheio, já que ela alcançou o top 5 da Billboard Hot 100 na época.
“É difícil fazer músicas significativas, que te façam querer dançar. No passado, gravei músicas que não gostava, músicas que não ouviria, que a gravadora estava me dizendo para gravar”, desabafou Justin Bieber na ocasião.
Ouça Justin Bieber na Lully FM!
Apesar de não lucrar com os hits antigos, Justin Bieber provou no Coachella que seu carisma continua intacto.
Como escreveu o crítico Chris Willman, da Variety: “Charme e talento percorrem um longo caminho. Quatro anos evitando apresentações ao vivo não fizeram nenhum arranhão no seu carisma”.
“Baby” — que já soma mais de 3 bilhões de visualizações no YouTube — segue entre as mais ouvidas do planeta, rendendo fortunas para a Hipgnosis enquanto o artista que a popularizou não vê um centavo.
