Foto: João Victor Santos e Rozangela Silva
A Pequena África recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros, da Integração Regional e dos Togoleses no Exterior do Togo, Robert Dussey, em uma agenda marcada por encontros, trocas e construção coletiva, conectando o Rio de Janeiro ao debate sobre reparação histórica e fortalecimento das relações entre África e diáspora. A atividade reuniu representantes da sociedade civil, muitos deles integrantes da delegação brasileira que esteve em Lomé, em dezembro, em uma iniciativa orquestrada pelo professor e babalawôIvanir dos Santos.
O encontro seguiu justamente como desdobramento dessa articulação, fortalecendo pontes já estabelecidas e ampliando o diálogo entre Brasil e continente africano. Ao longo da programação, intelectuais, lideranças e participantes compartilharam experiências e refletiram sobre caminhos possíveis de cooperação e intercâmbio.
A agenda começou no Cais do Valongo, onde o ministro foi recebido com uma apresentação do Afoxé Filhas de Gandhy RJ, grupo cultural feminino dedicado à valorização da cultura afro-brasileira. Em seguida, um cortejo seguiu até a sede do CEAP – Centro de Articulaçãode Populações Marginalizadas, marcando simbolicamente a travessia entre memória, território e resistência.

Durante a recepção, Roseli Santos da Cruz entregou ao visitante um amuleto de proteção e sorte, com elementos ligados a Oxum e Ogum, além de símbolos associados à saúde, gesto que evidenciou a dimensão espiritual e ancestral do encontro. O ministro também recebeu outros presentes, como livros, fechando o encontro com a troca de saberes e significados.
Ivanir dos Santos destacou a importância de conduzir a visita ao Cais do Valongo, ressaltando o peso histórico do território como símbolo da diáspora africana e reafirmando o compromisso com a preservação da memória e o fortalecimento dos laços entre África e Brasil.
Em tempo, a atividade contou ainda com a presença da família Olímpio. Com Hanna Marques, Antônio Carlos Marques dos Santos, Glória dos Santos e Saulo Araujo Marques. A família esteve no Togo em dezembro, na cidade de Lomé, a convite do governo local, para conhecer seus parentes togoleses, aprofundando vínculos históricos e afetivos entre os dois lados do Atlântico. Em um legítimo reconhecimento e construção conjunta entre África e países diaspóricos.
O encontro foi marcado por um alto nível de reflexão e troca, reunindo importantes intelectuais negros como Jacques d’Adesky, Helena Theodoro, Mariana Gino, Ele Semog, Totinho Capoeira (SIRDH), José Carlos Lima de Campos (UFRJ), entre outros, cujas contribuições enriqueceram o debate e reforçaram a densidade cultural, acadêmica e política da atividade.
Também foi reforçado o papel de Ivanir dos Santos na coordenação das mediações entre as representações brasileiras, fortalecendo a continuidade desse processo coletivo. Ao final, ficou o destaque de que essa aproximação deve se sustentar, antes de tudo, na solidariedade.
Após o almoço na sede do CEAP, a programação seguiu com um seminário no IFCS, reunindo intelectuais e lideranças negras em mais um momento de escuta, troca e aprofundamento. Logo na abertura do seminário, foi proposta uma dinâmica direta: que cada representante presente apresentasse sugestões concretas de contribuição entre Brasil e continente africano. As falas foram recebidas com escuta atenta, reunindo ideias, experiências e propostas vindas de diferentes territórios e trajetórias. Houve o compromisso de encaminhar essas contribuições às instâncias correspondentes, além do incentivo à construção de um futuro encontro entre Brasil e África a partir das articulações iniciadas ali.
O encontro deixou como legado o fortalecimento de uma articulação viva, que atravessa oceanos e histórias, reafirmando a memória como base e a solidariedade como caminho para a construção de futuros compartilhados.


