CBF quer criar liga única no Brasil

Foto: Marcello Neves


A diretoria da CBF apresentou nesta segunda-feira um estudo para dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B do Brasileiro para buscar a adoção da liga única. Atualmente divididos em dois blocos comerciais – Libra e FFU –, os clubes receberam um cronograma sugerido pela CBF. Até o fim de julho, os dirigentes podem apresentar propostas e sugestões. A previsão da entidade é inaugurar o estatuto da futura liga até o fim deste ano.

Em resumo, o cronograma indicado é o seguinte:

  • Maio a julho de 2026: coleta de sugestões e elaboração de propostas de encaminhamento;
  • Agosto a setembro de 2026: apresentação, ajustes e aprovação das propostas;
  • Outubro a dezembro de 2026: estruturação das fases – comercialização e estatuto da liga.

A reunião desta tarde de segunda-feira, realizada num hotel na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro, serviu para diagnóstico apresentado pela CBF na comparação com as maiores ligas do mundo: Premier League, da Inglaterra, La Liga, da Espanha, e Bundesliga, da Alemanha.

A CBF considera que o Brasil vive um “gap sistêmico”, atrás dessas ligas em diversos parâmetros definidos, tais como calendário, qualidade e tempo de jogo, estrutura de estádios e para transmissão, comercialização, governança e sustentabilidade financeira.

Os dirigentes da CBF defenderam que, antes de discutir a divisão da receita gerada pelo futebol brasileiro – ponto central da maioria das brigas comerciais, como a mais recente do Flamengo com a Libra e os outros clubes dentro da Libra –, é preciso aumentar significativamente os valores. Qualquer novo acordo comercial, quando se trata de vendas de direitos de transmissão, só passaria a valer a partir de 2030, porque os dois blocos comerciais têm contrato em vigor até 2029.

Veja a comparação apresentada pela CBF:

A CBF chama atenção para a receita da liga brasileira ser menor do que um terço da Bundesliga, da Alemanha – um país que tem 84 milhões de habitantes e 18 clubes na sua liga principal. Enquanto o Brasil tem 210 milhões de habitantes e 20 clubes na liga principal.

Pesquisa recente da CBF também apontou que cerca de 140 milhões de habitantes brasileiros são torcedores de algum time, com 40 milhões considerados fanáticos por futebol. Assim, a entidade considera o produto subvalorizado e com margem de crescimento.

Pontos de discussão

O diagnóstico feito pela CBF elenca uma série de problemas que ela própria atacou nos últimos anos, entre eles arbitragem, calendário e fair play financeiro. A entidade dividiu a pauta em 10 “dimensões do produto” do futebol brasileiro e comparou com as ligas ingleses, espanholas e alemãs. Com a liga brasileira sempre atrás em todos esses pontos abaixo:

  • Calendário
  • Tempo de jogo
  • Estádio – público e segurança
  • Estádio – infraestrutura
  • Transmissão
  • Comunicação e redes sociais
  • Marketing
  • Êxodo de talentos
  • Governança do Regulamento
  • Sustentabilidade financeira

O estudo avaliou, por exemplo, o percentual de jogos disputados à luz do dia (com início até as 16h30) nas outras ligas e mostrou que 80% dos jogos do Brasil são noturnos, enquanto na Inglaterra apenas 25% são noturnos. Na La Liga, 60%. E, por fim, 30% na Alemanha. A CBF considera que pode haver impacto no público presente em estádios – também menor na liga brasileira em comparação aos demais. Afinal, pesquisa Nexus recente, feita em parceria com a CBF, apontou que 74% consideram a insegurança ao ir a estádios de futebol.

Para além dos aspectos de melhoria de produto do futebol brasileiro – por exemplo, a CBF usa o exemplo de outras ligas que padronizaram transmissões e alavancaram presença em redes sociais -, a CBF vai transferir para a liga de clubes as discussões mais polêmicas. O tipo de gramado talvez seja a principal delas – atualmente, Atlético-MG, Athletico, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras usam gramados sintéticos na Série A. Com a maioria dos clubes, hoje, sendo a favor de vetar este tipo de campo.

Outro ponto de atenção é a discussão sobre rebaixamento, com a perspectiva de se diminuir de quatro para três rebaixados no futuro. Assim como a regulação de uso de estrangeiros por partida – atualmente, são nove permitidos.