Instituto para Periferias é reestruturado e amplia presença na Zona Oeste do Rio

Organização contemplada pelo Fundo POP passa por reestruturação administrativa


O IPPÊ – Instituto para Periferias, organização da Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ)  que reúne diferentes projetos voltados para educação, cultura, incidência política e pesquisa em regiões de alta vulnerabilidade social, atravessa um dos momentos mais estruturantes de sua trajetória após ser selecionado para o Fundo POP,  o primeiro fundo brasileiro dedicado exclusivamente ao fortalecimento institucional de iniciativas das periferias, fruto de uma parceria entre o Instituto ACP (IACP) e a Iniciativa Pipa. O investimento permitiu mudar processos internos, passar por formalização jurídica como Associação e consolidar uma nova identidade institucional, marcando uma fase de profissionalização inédita para a organização.

Criado em 2016 como Coletivo Negro Waldir Onofre por jovens universitários da região, o grupo nasceu de inquietações políticas e acadêmicas que deram origem a iniciativas como o livro Poesia Preta – Poetas Negros da Zona Oeste, trabalho de conclusão de curso da atual diretora-executiva, Ingrid Nascimento, que reuniu versos de autores e autoras de favelas, bairros periféricos e quilombos urbanos. Desde então, o coletivo cresceu, diversificou projetos e se tornou Instituto, unindo pesquisas, ações culturais e formações para fortalecer direitos e ampliar vozes periféricas.

Mesmo com essa expansão, a organização ainda enfrentava barreiras comuns às iniciativas de base comunitária, como a falta de estrutura jurídica, ausência de uma gestão formalizada e dificuldades no processo de comunicação e captação de recursos. A entrada no Fundo POP, lançado em 2024, veio justamente para enfrentar esses desafios. Com um aporte de R$ 150 mil ao longo de três anos, além de mentorias e participação em uma comunidade de aprendizagem com outras Organizações da Sociedade Civil (OSCs) periféricas do país, o IPPÊ conseguiu dar início a uma reestruturação interna que vinha sendo adiada por falta de recursos e tempo.

“O Fundo POP também é um espaço de aprendizagem e experimentação para o Instituto ACP. Ao apoiar organizações em seu desenvolvimento institucional, ampliamos nosso repertório e contribuímos para mostrar à filantropia brasileira o que significa investir de forma mais estruturante, fortalecendo iniciativas que estão na ponta e gerando impacto nos territórios”, comenta Erika Sanchez Saez, diretora-executiva do Instituto ACP.

Segundo Ingrid Nascimento, diretora executiva do IPPÊ, um dos primeiros passos foi fortalecer a institucionalização da organização, acompanhada de uma reformulação completa da comunicação, que incluiu o lançamento de um novo site e a criação de uma identidade visual renovada para as redes sociais. “Com o recurso do POP, nós conseguimos dar entrada no processo de institucionalização, contratar uma equipe de comunicação mais robusta para auxiliar no processo de captação de recursos e melhorar a forma como comunicamos as nossas ações. Conseguimos também alugar um espaço físico, o que é muito importante, porque não tínhamos um lugar para fazer nossas reuniões. Hoje temos tanto uma parceria com o Espaço Cultural Márcio Conde quanto com um coworking no centro da cidade, onde conseguimos realizar nossos encontros”, explica.

Para ela, a desburocratização do financiamento, que é um dos objetivos do Fundo POP,  foi decisiva para a evolução administrativa do IPPÊ. “Quando a gente desburocratiza o financiamento, acaba se capacitando e se organizando dentro desse processo, aprendendo aos poucos a lidar com esse tipo de recurso sem a pressão de relatórios excessivos e diversas planilhas. Isso permite que as organizações se desenvolvam com mais segurança”, comenta.

Esse processo, segundo Ingrid, não se resume apenas ao apoio financeiro. O Fundo POP ampliou a rede do Instituto fortalecendo também a atuação colaborativa. “Criamos, por exemplo, uma relação com a OSC Legal, que também está sendo financiada pelo Instituto ACP, e que nos apoiou na construção do nosso CNPJ. O mais importante tem sido construir redes sólidas de confiança, onde a gente se sente acolhido e pode aprender com organizações que já lidam com a burocracia há muito tempo. Dentro da comunidade de aprendizagem, eu me sinto pertencente a um coletivo”, complementa.

Planos para o futuro

Com o avanço institucional, o IPPÊ já planeja expandir sua atuação em 2026, replicando sua metodologia para outras periferias e ampliando o alcance de seus projetos. “Queremos fortalecer a manutenção da nossa organização, apoiar outras pessoas com nossa metodologia e mostrar que o nosso território produz pesquisa, conhecimento e ações culturais e educacionais. Pensamos em criar um selo literário e expandir nossos projetos para ver se funcionam em outros territórios”, afirma Ingrid, do IPPÊ.

Atualmente, o Instituto conta com cinco pessoas contratadas por meio do Fundo POP e seis voluntários, somando 11 colaboradores que atuam em comunicação, cultura, pesquisa, formação e produção de dados. O novo branding institucional também marca outra virada. O redesenho da marca reposicionou o IPPÊ como um Instituto que floresce territórios e amplia vozes periféricas, reforçando sua missão de promover pesquisa, cultura e educação antirracista. Essa comunicação revisada fortaleceu o reconhecimento público da organização e ampliou o alcance de projetos como Poesia Preta, que reúne poemas de autores e autoras da Zona Oeste e é distribuído gratuitamente em escolas públicas como ferramenta de aprendizagem e identidade.

Sobre o Fundo POP

Com o objetivo de fortalecer as organizações periféricas em diferentes regiões do país, o Fundo POP selecionou dez OSCs de base comunitária para receber apoio, das cinco regiões do Brasil. Fruto da parceria entre o IACP, um instituto de investimento social que busca fortalecer as OSCs no Brasil, e a Iniciativa Pipa, organização fundada por jovens de periferias e que tem por objetivo democratizar o acesso ao investimento social privado no Brasil, o Fundo pretende investir cerca de R$ 2 milhões nesta primeira etapa.

Cada uma das organizações selecionadas está recebendo um investimento total de R$ 150 mil, que serão distribuídos ao longo de três anos (R$ 50 mil anuais), além de participar de uma comunidade de aprendizagem com trocas, mentorias e formações especializadas voltadas ao fortalecimento institucional. O objetivo é garantir que essas organizações possam consolidar suas estruturas, ampliar sua atuação e gerar ainda mais impacto social em seus territórios.

O Fundo conta com o apoio de cinco organizações coinvestidoras, como a Fundação Tide Setubal, Instituto Incube, Humanity United, Instituto Galo da Manhã e Sall Family Foundation.

Sobre o Instituto ACP

Criado em 2019, o Instituto ACP é uma organização filantrópica de investimento social fundada pela segunda geração de uma família empreendedora. Seu objetivo é  fortalecer as organizações da sociedade civil (OSC) no Brasil para impulsionar a expansão do país. O Instituto ACP foi criado a partir do desejo de Antônio Carlos Pipponzi de organizar a sua prática filantrópica juntamente com os seus três filhos, em uma iniciativa alinhada aos seus valores e à sua vocação empreendedora. A organização tem como foco o desenvolvimento institucional e acredita no potencial nacional e na força da sociedade civil organizada como vetor desse crescimento. Para mais informações, acesse https://www.institutoacp.org.br/

Sobre a Iniciativa PIPA

Iniciativa PIPA, completará 3 anos de atuação no setor em 12 de maio, foi fundada por jovens periféricos que tem por objetivo democratizar o acesso ao investimento social privado no Brasil. Além de ajudar a construir um mundo em que os recursos filantrópicos e privados sejam acessíveis às organizações, aos coletivos e aos movimentos de base favelada e periférica de maneira ampla e equitativa em termos de raça, gênero e classe. Para mais informações, acesse www.iniciativapipa.org.