Famosos estão preferindo as redes e o streaming a TV aberta

Mel Maia, Giovanna Antonelli e Juliana Paes


Cada vez mais famosos vêm deixando a televisão tradicional para buscar novos caminhos. Embora a TV ainda seja um meio de alcançar a fama e conquistar a tão sonhada relevância no mundo da arte, ela não é mais a única forma de crescer, já que os streamings têm oferecido novas oportunidades dentro e fora do Brasil.

Ainda que alguns artistas prefiram os meios mais tradicionais, o fato é que isso está acontecendo. É uma tendência real e crescente em todo o mundo. Grandes nomes da televisão estão deixando contratos fixos com emissoras, especialmente a Rede Globo, para buscar outros rumos. Essa mudança vem sendo motivada por diversos fatores, sendo um deles a queda nos índices de audiência. Em 2024, por exemplo, a presença de aparelhos televisivos caiu, evidenciando que 4,9 milhões de domicílios não tinham televisão.

O levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que 42,1% dos lares têm streaming. A proporção de domicílios brasileiros com televisão tem caído, ao mesmo tempo em que lares com celular e serviços de streaming têm aumentado.

No entanto, além de todas essas questões, os atores vêm buscando mais liberdade criativa e contratos mais flexíveis, nos quais possam fechar publicidades e até investir em outras obras algo que não era permitido antes dos streamings.

Em conversa com nossa redação, especialista em TV, comentou sobre a saída de grandes nomes da televisão para outras plataformas. De acordo com o comunicador, a escolha é tanto artística quanto financeira, já que grande parte das emissoras não são mais capazes de competir com alguns streamings.

“Hoje, atores e apresentadores conquistaram uma liberdade artística muito maior. Eles podem escolher projetos que realmente façam sentido para a carreira, sem ficarem presos a contratos longos de exclusividade com uma emissora, como acontecia nos tempos de ouro da televisão. Antes, muitas vezes o artista precisava aceitar qualquer papel para justificar um salário fixo alto. Isso mudou”, Erik Rocha.

Entretanto, liberdade não é tudo, já que a questão financeira pesa, e muito. Segundo Erik, o mercado audiovisual está cada vez mais dominado pelos streamings e, em sua maioria, são empresas multinacionais. “Ou seja, contratos em dólar, valores mais competitivos e, principalmente, acordos por obra. O artista grava uma novela ou uma temporada e depois fica livre para outros projetos pessoais, o que aumenta o potencial de ganhos”, disse.

“E aí entra o ponto principal: hoje o profissional consegue equilibrar melhor carreira e dinheiro. Em alguns casos, até abre mão de um grande salário fixo na TV, como na Globo, para ter mais autonomia e diversificar trabalhos”, acrescenta.

É importante destacar que atores de ponta, ou seja, as estrelas, frequentemente ganham mais dinheiro no streaming ( Amazon Prime, Netflix, Disney, HBO Max) do que na TV aberta no Brasil. Atualmente, as plataformas oferecem salários em dólar, contratos por obra mais curtos e valores superiores aos contratos fixos, que foram reduzidos para cerca de R$ 200 mil para protagonistas.

Outro grande fator que evidencia a perda de competitividade da TV brasileira é o fato de as emissoras terem, por muito tempo, subestimado o poder de atração das novas mídias. Mesmo ainda sendo o maior meio de comunicação do país, a TV aberta perdeu números importantes e viu o público migrar para outras plataformas. Isso se deve tanto à mudança radical no comportamento do espectador, que hoje prefere assistir apenas o que quer e no seu próprio tempo.

“A televisão acabou se acomodando em alguns aspectos. Passou a apostar com mais frequência em formatos internacionais prontos, que nem sempre funcionam bem no Brasil, e reduziu o investimento em criatividade própria. Isso contrasta com o passado, quando nomes como Silvio Santos, Gugu Liberato, Faustão e Chacrinha criavam formatos originais e marcavam época com inovação. Enquanto isso, no digital, há uma explosão de criadores. Muitos youtubers e influenciadores produzem conteúdos extremamente criativos, com linguagem direta, baixo custo e alto engajamento”, Erik.

Na visão do especialista, a TV perdeu muito do alcance e da relevância de antes, assim como a agilidade e a ousadia. Logo, continuará vendo o público, principalmente o jovem, migrar para outras plataformas, que vêm investindo pesado em inovação.

TV aberta perde relevância com o crescimento dos streamings

Prova de que a relevância das emissoras vem caindo é que inúmeros atores consagrados migraram para o streaming e para a internet, como Camila Pitanga, Mel Maia, Giovanna Antonelli, Wagner Moura, Selton Mello, Ingrid Guimarães, Bruna Marquezine , Klebber Toledo e Camila Queiroz, entre outros.

Isso acaba fortalecendo esses novos formatos e enfraquecendo ainda mais a TV tradicional, já que se torna evidente para os novos atores que fazer novelas não é mais o único caminho. Ao comentar sobre o assunto, Erik Rocha usou Juliana Paes  como exemplo. “Hoje, ela prefere recusar papéis em novelas da televisão aberta para se dedicar aos streamings. E aí a gente volta na questão acima: no digital, o trabalho é mais rápido e mais valorizado”, explica.

Embora as plataformas venham crescendo de forma alarmante e isso abra portas para novos talentos que antes dependiam exclusivamente da televisão, o poder de alcance ainda é menor, pelo menos no Brasil. Ainda são poucos os casos de pessoas que se tornaram estrelas a partir de uma série no streaming. Além disso, quando isso acontece, a fama costuma não ser tão duradoura quanto a conquistada na TV.

Ainda que muitas coisas estejam mudando, Erik Rocha garantiu que a televisão não deixará de ser a principal vitrine do estrelato no Brasil, pelo menos não por enquanto.

“O digital e o streaming passaram a disputar esse espaço, principalmente entre o público mais jovem e em nichos específicos. Só que a TV ainda tem um diferencial muito forte: ela cria eventos. Novelas, realities e programas ao vivo ainda conseguem parar o país e gerar conversa em massa, algo que poucas produções do streaming alcançam por aqui”, destacou.

Todavia, para permanecer relevante, o especialista acredita que a TV precise se reinventar e investir em conteúdo ao vivo e interativo. Além disso, deve “apostar mais em formatos originais e menos em fórmulas prontas ou adaptações”, já que isso dificilmente dialoga diretamente com o público brasileiro.

“A TV não está acabando, mas deixou de ser a única vitrine. Quem entender esse novo jogo e souber se adaptar, continua relevante. Quem não acompanhar, naturalmente perde espaço”, concluiu. Sendo assim, caso as coisas não mudem, cada vez mais atores como Mel Maia, Giovanna Antonelli e Juliana Paes devem deixar a TV aberta.