Rainha de bateria da Mangueira, Evelyn Bastos chamou atenção no último ensaio técnico da verde e rosa ao surgir coberta por uma elaborada pintura corporal, que levou mais de sete horas para ficar pronta.

“É aquele negócio: tomar um Torsilax (analgésico), ficar em pé, tomar um cafezinho em pé, comer em pé e tudo certo”, brincou a sambista em entrevista ao portal Uol, minutos antes de entrar na Sapucaí.
Como aconteceu?
No ensaio, Evelyn usou look que representa a “árvore-mulher”, figura que sintetiza cura, mistério e ancestralidade. “Hoje eu estou de árvore-mulher, eu trago a mata. Muitos mistérios da mata, a cura, o tempo se curva à mata. Essa é a Cantaria número dois”, explicou.
Segundo ela, a escolha também dialoga com a própria identidade da Mangueira. “A Mangueira é uma localidade que tem muitas árvores antigas, centenárias, que guardam seus mistérios. Para mim, está sendo uma grande honra vestir algo tão raiz, tão poderoso”.
“Deu muito trabalho. Foram mais de sete horas produzindo todos esses detalhes”.
A escola leva para a Avenida em 2026 o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França. A proposta homenageia o curandeiro amapaense Mestre Sacaca e destaca a sabedoria popular, a ancestralidade negra e indígena e a resistência cultural da Amazônia, fugindo da imagem limitada apenas à floresta.
Mesmo com a pista molhada, a chuva não preocupou e seguiu tranquila. “Normalmente o solado depende de pneu, então não escorrega tanto. E o chão da Sapucaí brilha, fica branquinho, mas não escorrega”.
À frente da bateria há 13 anos, Evelyn vê sua permanência como reflexo da confiança da comunidade. “A palavra é confiança. A confiança que a comunidade deposita em mim é algo muito sublime. Isso me dá força para me reinventar a cada ano e representar as minhas pessoas, que me veem todos os dias, desde quando eu nasci”.
Valorização da Rainha da Comunidade
Ela também comentou o debate sobre a valorização de rainhas da comunidade em oposição às celebridades convidadas. “As pessoas passaram a acompanhar mais as rainhas originárias, da comunidade, e isso transforma tudo. Nosso trabalho é muito valorizado quando vocês curtem, compartilham, comentam. Mas, sinceramente, eu prefiro quando vocês me aplaudem do que quando estão com o telefone na mão. Isso me atravessa muito mais como artista do samba”.
Além do posto na Mangueira, Evelyn vive o segundo ano como diretora da Liesa, acumulando a função de gestão com o reinado na bateria. “Sou uma mulher do povo, nascida e criada na favela, uma mulher negra. Ninguém pode me tirar essa legitimidade”, afirmou.
“Estar na Liesa me coloca num lugar de equilíbrio entre tradição e modernidade. E também exige que as pessoas saibam olhar para uma mulher negra em posição de gestão com a mesma suavidade que olham para outros líderes”.
Fonte Uol
