A polêmica em torno do motor da Mercedes para a temporada 2026 ganhou um novo capítulo esta semana. Após reunião com as equipes e com a Fórmula 1, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu realizar a checagem da taxa de compressão da unidade de potência com os motores aquecidos, e não frios como determinado inicialmente pelo regulamento. A expectativa é que a mudança entre em vigor já a partir do GP da Austrália, que abre o campeonato em 8 de março.

A informação é do portal da revista italiana Autosprint desta sexta-feira (6). A polêmica estourou em meados de dezembro, quando o portal inglês The Race publicou reportagem afirmando que duas fabricantes — Mercedes e Red Bull — haviam encontrado uma solução inteligente para ampliar o limite da taxa de compressão, reduzida de 18:1 para 16:1 com a mudança no regulamento de 2026.
A taxa de compressão de um motor de Fórmula 1 é definida pela relação entre o volume máximo do cilindro — quando o pistão está no ponto mais baixo — e o volume mínimo — quando o pistão está no ponto mais alto. A possibilidade de ampliar essa janela de compressão resultaria em cerca de 15 cavalos de potência a mais — ou aproximadamente 0s3 por volta.
A questão, no entanto, é que isso é medido apenas com o motor fora da temperatura ideal de funcionamento na pista, mas a taxa de compressão do motor alemão aumenta quando ele está aquecido. Esta semana, o site da revista alemã Auto Motor und Sport publicou reportagem detalhando o truque, que tem a ver com uma segunda câmara de combustão que é desativada quando o motor está quente. E a FIA aprovou a legalidade da solução.
Ainda assim, Ferrari, Honda e Audi enviaram carta conjunta à federação solicitando esclarecimentos, preocupadas com o impacto imediato na ordem de forças do grid. A FIA, então, concordou em alterar o critério de teste, que envolverá a medição dos componentes do V6 devidamente aquecidos, mas em forma estática.
A Autosprint afirma ainda que essa mudança exigirá votação, mas não será preciso unanimidade para aprová-la no regulamento técnico, apenas maioria simples. E o único voto contrário seria o da Mercedes, uma vez que Red Bull, que também se viu envolvida no assunto, porém optou por uma postura neutra com relação à rival de Brackley, decidiu se unir a Honda, Ferrari e Audi.
Do lado da Mercedes, o chefe, Toto Wolff, foi bastante vocal ao comentar as acusações de que a montadora teria burlado o regulamento. “Simplesmente não entendo por que algumas equipes se concentram mais nas outras e continuam argumentando um caso que é muito claro e transparente. A comunicação com a FIA foi muito positiva o tempo todo. Não é apenas sobre taxa de compressão, mas também sobre outras coisas”, disse durante evento de lançamento da temporada, na última segunda-feira.
“E, especificamente nessa área, é muito claro o que o regulamento diz, é muito claro quais são os procedimentos padrão em qualquer motor, ou até mesmo fora da F1. Então, tomem jeito”, disparou.
“Eles [as equipes adversárias] estão fazendo reuniões secretas e enviando comunicações, e continuam tentando inventar formas de testes que simplesmente não existem. Só posso dizer que, pelo menos da nossa parte, estamos tentando minimizar distrações, olhando mais para nós mesmos do que para os outros, quando é bastante claro o que o regulamento diz e também bastante claro o que a FIA nos disse”, finalizou Wolff.
A Fórmula 1 retorna à pista de 11 a 13 de fevereiro, no Bahrein, para a primeira de duas baterias de testes coletivos da pré-temporada.
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