Foto: FRANCK FIFE/AFP
Senegal se recusa a devolver o troféu da Copa Africana de Nações após ser destituído do título pela Confederação Africana de Futebol, em uma decisão sem precedentes. A federação do país afirmou que vai recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte e garantiu que a taça permanecerá em território senegalês.
A crise teve início na terça-feira, quando a CAF anunciou a reversão do resultado da final, disputada 58 dias antes, e declarou vitória do Marrocos por 3 a 0 por W.O. A entidade entendeu que o comportamento da seleção senegalesa durante a partida — marcada por protestos contra a arbitragem e abandono temporário do campo — violou o regulamento da competição.
Apesar da decisão oficial, dirigentes e jogadores do Senegal adotaram um tom de enfrentamento e passaram a tratar o troféu como símbolo da vitória conquistada em campo. O secretário-geral da federação, Abdoulaye Sow, foi direto:
— A taça não sairá do país. O Senegal tem o direito e a vitória está do seu lado.
Em nota, a federação classificou a decisão da CAF como “injusta, sem precedentes e inaceitável”, acusando a entidade de comprometer a credibilidade do futebol africano. A resposta institucional inclui a preparação de um recurso formal ao CAS, com sede em Lausanne.
A final já havia sido marcada por tensão. O Senegal chegou a deixar o campo em protesto contra decisões da arbitragem, mas retornou, defendeu um pênalti e venceu por 1 a 0 na prorrogação. Após a partida, a federação marroquina apresentou queixa formal, que deu origem à investigação da CAF.
Ao revisar o caso, a entidade concluiu que o Senegal infringiu o Artigo 82 de seu regulamento, determinando a derrota administrativa e a consequente transferência do título ao Marrocos.
Jogadores senegaleses reagiram publicamente, reforçando a recusa em reconhecer a decisão. O volante Idrissa Gana Gueye publicou uma imagem com o troféu e escreveu:
— Títulos e troféus são passageiros. O que importa é que o povo permaneça digno.
Outros atletas também compartilharam fotos com a taça e mensagens de contestação. O lateral El Hadji Malick Diouf afirmou: “O troféu se ganha em campo, não por e-mail”.
Enquanto o Marrocos é oficialmente reconhecido como campeão, o Senegal mantém a posse física da taça — um impasse que deve se prolongar nos tribunais esportivos.
