Cristiano Ronaldo anunciou, nesta quinta-feira (5), que vai encerrar sua trajetória na seleção portuguesa. Aos 40 anos, o atacante publicou um vídeo nas redes sociais para comunicar que não voltará a defender a equipe nacional. Capitão de Portugal, o jogador se despede com 146 gols em 234 partidas e deixa a seleção como o atleta com mais jogos e o maior artilheiro da história do futebol entre seleções.
No vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Cristiano Ronaldo faz um balanço da relação com a equipe nacional. Na gravação, o atacante destaca os 23 anos em que teve a oportunidade de representar Portugal e deixa uma mensagem de despedida aos torcedores.
— Hoje termina a minha caminhada dentro do campo com a Seleção Nacional, saio de cabeça levantada com o orgulho do caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal — afirmou o atacante, em um longo vídeo publicado nas redes sociais.
Na despedida, Ronaldo agradeceu aos companheiros, treinadores, familiares e torcedores que fizeram parte de sua trajetória e afirmou que continuará acompanhando a equipe: “Portugal estará sempre em mim”.
O anúncio da aposentadoria ganha ainda mais peso por ocorrer após semanas de desgaste entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, técnico da seleção portuguesa. A crise começou no fim de setembro, quando o atacante ficou no banco durante a vitória de Portugal por 2 a 1 sobre a Noruega, pela Liga das Nações. Apesar de ter sido chamado para o aquecimento e de haver um acordo para que entrasse nos 30 minutos finais, o camisa 7 não foi utilizado.
O episódio ganhou repercussão depois que Jesus explicou que havia combinado com o atacante uma possível entrada nos 30 minutos finais, mas decidiu mantê-lo no banco porque considerou que a partida não pedia a substituição. O treinador também afirmou que Ronaldo estava em condições físicas de jogar pelo tempo que fosse necessário. A justificativa não encerrou o desconforto.
Na sequência, na véspera do confronto com a Dinamarca, Ronaldo deixou a concentração portuguesa, em Copenhague, após uma entrevista coletiva de Jesus. Na ocasião, o técnico afirmou que nenhum jogador mudaria suas decisões. O atacante anunciou a saída nas redes sociais e prometeu explicar posteriormente os motivos.
O português publicou um longo comunicado no qual apresentou sua versão do desentendimento. Sem citar diretamente o nome de Jesus, afirmou que o treinador havia descumprido acordos em duas ocasiões. Além da promessa de utilizá-lo contra a Noruega, Ronaldo disse que os dois haviam combinado que o técnico apresentaria, em uma entrevista coletiva, esclarecimentos sobre sua participação na equipe. Segundo o jogador, Jesus não seguiu o que havia sido acertado e adotou uma postura que classificou como agressiva.
Ronaldo também pediu desculpas por ter deixado a concentração e por não ter cumprimentado os torcedores e os companheiros após a partida contra a Noruega. Reconheceu que sua condição de capitão tornava a atitude mais grave e afirmou que aceitaria uma eventual punição da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). A entidade acabou suspendendo o atacante por 30 dias.
Na ocasião, o atacante havia descartado encerrar sua trajetória internacional. Disse que continuaria disponível para defender Portugal após cumprir eventual suspensão, desde que estivesse em boas condições físicas e atuando por seu clube. A declaração desta quinta-feira, portanto, representa uma mudança em relação à posição que havia apresentado no início de outubro.
Jorge Jesus, por sua vez, evitou alimentar o confronto. Questionado sobre as acusações, afirmou que havia lido o comunicado de Ronaldo e que seguiria concentrado no trabalho à frente da seleção. Antes disso, o treinador e o presidente da federação, Pedro Proença, haviam deixado aberta a possibilidade de retorno do atacante à equipe.
Fonte O Globo
