Do carreteiro ao baião de dois: pratos regionais mostram como o Brasil transformou o arroz

Receita


Preparado com charque nas viagens pelo Sul, combinado ao pequi no Cerrado, cozido com feijão no sertão nordestino ou servido com carne suína na cozinha rural mineira, o arroz ganhou diferentes identidades ao atravessar o Brasil. No Dia Internacional do Arroz, o Tio João resgata a origem e o contexto cultural de quatro preparações que mostram como ingredientes disponíveis, modos de vida e costumes locais ajudaram a transformar o grão em parte da memória alimentar do país. 

No Rio Grande do Sul, o arroz carreteiro é associado aos condutores de carretas e tropas que percorriam longas distâncias. Arroz e charque resistiam ao transporte e podiam ser preparados juntos, em uma única panela. A receita atravessou gerações e se consolidou como um dos símbolos da culinária gaúcha. São Luiz Gonzaga, no noroeste do estado, recebeu por lei estadual o título de Capital Gaúcha do Arroz Carreteiro. 

No Centro-Oeste, o arroz encontrou um ingrediente nativo do Cerrado. De aroma e sabor marcantes, o pequi está ligado à tradição alimentar de Goiás e de outros estados da região. O arroz com pequi mostra como as comunidades incorporaram ao preparo cotidiano um fruto disponível no próprio território, criando uma combinação reconhecida como parte da cozinha goiana. 

Já o baião de dois reúne dois alimentos presentes diariamente na mesa brasileira. Ligado ao sertão nordestino e especialmente à culinária cearense, o prato combina arroz e feijão em uma mesma panela, com ingredientes que variam conforme a região e a receita de cada família. Além de formar uma refeição substanciosa, o preparo está relacionado ao aproveitamento dos alimentos que já estavam disponíveis em casa. 

Em Minas Gerais, o arroz com suã guarda a influência da cozinha rural e do aproveitamento integral dos ingredientes. A suã é um corte suíno da região da espinha dorsal, com ossos e carne ao redor. Durante o cozimento, ela forma um caldo saboroso, usado para preparar o arroz. O resultado é um prato servido como refeição principal e preservado no repertório das cozinhas de fazenda. 

Em outras regiões, o grão ajuda a conectar sabores locais mesmo quando não ocupa o centro da receita. No Pará, por exemplo, o arroz acompanha preparações tradicionais do almoço do Círio de Nazaré, como o pato no tucupi e a maniçoba. Segundo a Universidade Federal do Pará, a refeição, marcada pela dimensão comunitária e religiosa, reúne influências indígenas, portuguesas e africanas. A presença do arroz na cultura alimentar brasileira também se constrói, portanto, ao lado de outros ingredientes. 

Quatro formas de levar esses sabores à mesa 

Para quem deseja conhecer essas combinações na prática, o Tio João reúne versões das quatro preparações. O Arroz dos Fortes parte do arroz carreteiro e acrescenta bacon e linguiça calabresa. O Arroz com Pequi leva Arroz Parboilizado Tio João, pequi, cebola, pimenta e cebolinha. O Baião de Dois combina os ingredientes característicos do prato nordestino. Já o Arroz com Suã é preparado com Arroz Integral Tio João, carne suína, tomate e cheiro-verde. As receitas completas, com quantidades e modo de preparo, estão disponíveis a seguir. 

Arroz dos fortes 

Ingredientes 

– 1 embalagem de Tio João Cozinha & Sabor – Arroz Carreteiro
– 2 colheres (sopa) de azeite ou óleo
– 3 xícaras (chá) de água (600 ml)
– ¼ colher (chá) de sal (2,2 g)
– 1 xícara (chá) de bacon em cubinhos
– 1 linguiça calabresa em rodelas finas
– 2 dentes de alho picados 

Modo de preparo 

Em uma panela aqueça o azeite ou óleo em fogo médio, frite o bacon e a linguiça calabresa. Junte 2 dentes de alho e o conteúdo da embalagem e refogue por 2 minutos. Acrescente a água e o sal, abaixe o fogo e deixe cozinhar com a panela semitampada até que a água seque. Sirva imediatamente. 

Arroz com pequi 

Ingredientes 

– 2 colheres (sopa) de azeite (26 ml)
– 1 cebola picadinha (150 g)
– 200 g de pequi em conserva (limpo) ou 10 caroços de pequi em conserva
– 2 ½ xícaras (chá) de Arroz Parboilizado Tio João (425 g)
– 4 pimentas-malaguetas (15 g)
– Sal
– ½ maço de cebolinha (40 g) 

Modo de preparo 

Aqueça o azeite em fogo médio e refogue a cebola e o pequi por 3 minutos, ou até a cebola murchar. Em seguida, adicione o arroz e refogue por mais 2 minutos, ou até o arroz ficar transparente.  

Junte 5 xícaras (chá) de água fervendo (1 litro) e as pimentas inteiras, tempere com sal a gosto, abaixe o fogo e cozinhe com a panela semitampada por 15 minutos (até a água secar). Desligue o fogo e deixe o arroz descansando por 5 minutos.
Salpique a cebolinha, misture bem e sirva o arroz em seguida, acompanhando carne de sol frita ou assada. 

Baião de dois 

Ingredientes 

– 250 g de feijão-de-corda
– 2 folhas de louro
– 4 dentes de alho descascados (16 g)
– ½ xícara (chá) de manteiga de garrafa (100 ml)
– 1 cebola grande picada (240 g)
– 2 pimentões vermelhos em cubinhos (340 g)
– 2 xícaras (chá) de Arroz Branco Tio João (340 g)
– Sal
– 400 g de queijo de coalho em cubos de 1 cm
– 2 maços de coentro picados (140 g) 

Modo de preparo 

Na véspera do preparo, lave o feijão e deixe-o de molho em 4 xícaras (chá) de água (800 ml). Então, cozinhe-o juntamente com as folhas de louro e os dentes de alho por 30 minutos, ou até o feijão ficar macio, porém firme (se necessário, adicione mais água). Separe o feijão do caldo.  

Em outra panela, em fogo médio, aqueça metade da manteiga e murche a cebola. Adicione o pimentão e o arroz e refogue por 3 minutos, ou até o arroz ficar transparente.
Junte o feijão ao arroz e adicione 4 xícaras (chá) do caldo do feijão (800 ml). Se necessário, complete com água. Abaixe o fogo, tempere com sal e cozinhe em panela semitampada por cerca de 20 minutos, ou até o arroz ficar cozido e seco.
 

Enquanto o arroz cozinha, aqueça uma frigideira e grelhe os cubinhos de queijo até que fiquem bem dourados. Desligue o fogo do arroz e regue-o com o restante da manteiga. Adicione o queijo e metade do coentro, tampe a panela e deixe descansar por 5 minutos para que o queijo derreta no vapor. Finalize com o restante do coentro e sirva em seguida, como prato único. 

Arroz com suã 

Ingredientes 

– 800 g de suã
– 1 xícara (chá) de óleo (200 ml)
– 3 limões (190 g)
– Sal e pimenta-do-reino
– 1 cebola picadinha (180 g)
– 3 dentes de alho picados (12 g)
– 2 tomates picadinhos (340 g)
– 2 xícaras (chá) de Arroz Integral Tio João (340 g)
– 1 maço de cheiro-verde picado (90 g) 

Modo de preparo 

Lave bem o suã e aqueça, em fogo alto, o óleo até a temperatura de 180 °C. Frite o suã no óleo até que ele fique bem dourado (cerca de 5 minutos de cada lado). Escorra o excesso de óleo da carne, coloque-a em uma tigela e tempere com sal, pimenta-do-reino e o suco dos limões. Deixe descansar por pelo menos 20 minutos.  

Em outra panela, em fogo médio, aqueça 1 colher (sopa) do óleo. Doure a carne novamente, junte a cebola e o alho e refogue por 2 minutos, ou até a cebola murchar. Adicione o tomate e refogue por mais 10 minutos. Entre com 2 xícaras (chá) de água (400 ml) e deixe cozinhar por 15 minutos, ou até a água reduzir à metade.  

Adicione o arroz e 4 ½ xícaras (chá) de água fervendo, abaixe o fogo e cozinhe, com a panela semitampada, por 25 minutos, ou até a água secar e o arroz estar totalmente cozido. Finalize com o cheiro verde picado e sirva em seguida como prato principal.