Miguel Paiva e Emó Editora
Depois de mais de três décadas atuando no Ministério Público de São Paulo e de ter conduzido a acusação no Caso Von Richthofen, um dos julgamentos criminais de maior repercussão do país, Roberto Tardelli encontrou na literatura outra forma de investigar aquilo que sempre esteve no centro de sua trajetória: o comportamento humano diante da violência.
É desse encontro entre Direito e ficção que nasce “O Espelho das Bruxas”, romance publicado pela Emó Editora que chega ao Rio de Janeiro em 9 de outubro. O lançamento acontece às 19h, na Blooks de Botafogo.
A obra acompanha Lilith e Circe, duas mulheres marcadas por traumas do passado que encontram, no eco de um crime bárbaro, uma possibilidade de confrontar as dores que carregam. O romance atravessa temas como abuso na infância, violência contra mulheres, culpa, desejo de reparação e os limites entre justiça e vingança.
No Rio de Janeiro, o lançamento ganha também uma conversa sobre as relações entre literatura, jornalismo, imagem e os diferentes modos de narrar a violência. Tardelli participa de um debate com a jornalista Luciana Barreto, âncora e editora-chefe do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, mestre em relações étnico-raciais e autora de Discursos de Ódio contra Negros nas Redes Sociais, e com o cartunista, escritor, ilustrador e roteirista Miguel Paiva, responsável pela capa de O Espelho das Bruxas. A proposta é ampliar a discussão do romance para além do Direito, colocando em diálogo diferentes perspectivas sobre violência, sociedade, representação e os efeitos da exposição pública de histórias e conflitos.
Mas o livro também desloca o olhar para um fenômeno cada vez mais presente na vida contemporânea: o julgamento paralelo.
Nas redes sociais, crimes deixam de ser apenas objeto de investigação e passam a ser consumidos como espetáculo. Opiniões são transformadas em sentenças, suspeitos e vítimas são submetidos à exposição pública e a dor pode se converter em entretenimento.
É nesse território que Tardelli leva para a literatura uma experiência acumulada em décadas de atuação diante de conflitos reais.
A ficção, porém, não pretende reproduzir processos judiciais.
Em “O Espelho das Bruxas”, o autor utiliza elementos do thriller psicológico e da investigação policial para explorar aquilo que não cabe em autos, depoimentos ou sentenças: os traumas que permanecem, as relações que se transformam pela violência e as consequências de uma sociedade que frequentemente busca respostas imediatas para histórias complexas.
“O silêncio só ajuda o agressor. A capacidade de amar é sempre maior que a capacidade de odiar, porque o amor é uma necessidade vital; o ódio é uma contingência infeliz”, afirma Tardelli.
Quando o Direito encontra a literatura
A experiência profissional do autor não aparece no romance como uma coleção de referências jurídicas. Ela funciona como uma espécie de lente para observar personagens e situações em que justiça, vingança e reparação começam a ocupar territórios difíceis de separar.
Tardelli foi promotor de Justiça por mais de 30 anos e participou de casos de grande repercussão nacional. A passagem para a literatura abriu espaço para outra perspectiva sobre conflitos que, no ambiente jurídico, precisam ser enquadrados em fatos, provas e responsabilidades.
Na ficção, a pergunta pode ser outra: o que acontece com as pessoas depois que a violência termina? E o que acontece quando a busca por justiça se mistura à necessidade de vingança?
É nesse intervalo que se desenvolve a narrativa de “O Espelho das Bruxas”.
O livro também aborda a exposição pública da violência e o papel das redes sociais na formação de julgamentos coletivos. Para o autor, a espetacularização de crimes pode produzir uma segunda camada de violência, ao transformar histórias pessoais em conteúdo de consumo público.
Um thriller para além do Direito
Apesar da densidade dos temas, Tardelli constrói uma narrativa acessível também a leitores que não têm familiaridade com o universo jurídico.
O romance conta com prefácio do jornalista Ernesto Paglia e capa criada pelo cartunista Miguel Paiva. A obra tem 278 páginas e combina ficção, suspense psicológico e investigação policial.
“O Espelho das Bruxas” chega ao Rio depois do lançamento em São Paulo e segue para outras cidades, aproximando o autor de leitores de diferentes regiões e ampliando a discussão proposta pela obra.
SERVIÇO | RIO DE JANEIRO
Lançamento e sessão de autógrafos de “O Espelho das Bruxas”
Data: 9 de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: Blooks Botafogo, Rio de Janeiro
Sobre o autor
Roberto Tardelli é advogado criminalista, ex-Procurador de Justiça de São Paulo e integrante do Grupo Prerrogativas. Com mais de 30 anos de carreira no Ministério Público, foi o promotor responsável pela acusação no Caso Von Richthofen, um dos processos criminais de maior repercussão da história recente do Judiciário brasileiro. É também autor de “Ainda não mudou” (2025, Emó Editora).




