Kiko
Os Estados Unidos registraram 4.653 fusões e aquisições nos cinco primeiros meses de 2026, segundo a PwC. O número mostra a movimentação do mercado americano e reforça o espaço para empresários que buscam novas oportunidades, mas cada operação exige uma análise própria antes da decisão.
Para quem pretende abrir uma operação, comprar uma empresa ou entrar como sócio em um negócio no país, a pergunta decisiva vem antes do contrato: o retorno prometido resiste a uma análise dos custos, das obrigações e do tempo necessário para gerar receita? O levantamento não trata especificamente de investidores brasileiros.
Para Franco Scornavacca, conhecido nacionalmente como Kiko do KLB, fundador da MD1 Nexus, empresa que conecta empresários a oportunidades e parceiros em mercados internacionais, o interesse por uma proposta pode acelerar uma decisão que ainda precisa ser testada, ele aponta falhas na escolha da oportunidade, na organização dos recursos e na contratação dos profissionais responsáveis por avaliá-la.
“Uma projeção de retorno pode parecer convincente. A questão é entender o que precisa acontecer para aquele número se tornar realidade”, afirma o empresário. Se o resultado depende de conquistar clientes rapidamente ou de manter despesas abaixo de determinado patamar, essas condições precisam ser examinadas antes de o investidor assumir o compromisso.
O preço anunciado também não representa, necessariamente, o valor necessário para realizar o projeto. Custos para iniciar a atividade, despesas de operação e capital de giro podem exigir recursos durante meses, enquanto a receita ainda está abaixo do previsto. “Ter dinheiro para entrar no negócio não significa ter fôlego para mantê-lo até que ele produza o resultado esperado”, ressalta o fundador da MD1 Nexus.
Três pontos para avaliar antes de fechar um negócio
Na avaliação de Kiko, três decisões merecem atenção antes de investir nos Estados Unidos:
- Testar as premissas da projeção : A estimativa de receita precisa ser confrontada com a demanda pelo produto ou serviço, a concorrência e os custos necessários para alcançar os clientes.
- Planejar recursos para a operação : O planejamento financeiro deve considerar quanto tempo o negócio consegue funcionar se as vendas começarem mais devagar ou as despesas superarem a previsão.
- Integrar as análises antes da decisão : Uma obrigação apontada na análise jurídica pode alterar os custos calculados na avaliação financeira. O investidor precisa entender o efeito conjunto dessas informações antes de decidir.
A participação de diferentes áreas na avaliação de transações também aparece em pesquisa da EY realizada no primeiro semestre de 2026 com 209 profissionais de desenvolvimento corporativo de empresas americanas de tecnologia, mídia e telecomunicações. O estudo destaca a importância de envolver estratégia, finanças, direito e tributos antes da conclusão de um negócio.
Isso não significa que todo projeto exija a mesma equipe ou o mesmo volume de documentos. A análise deve acompanhar o tipo e o tamanho da operação. O ponto é definir o que precisa ser verificado, quem tem a qualificação necessária para fazê-lo e quais dúvidas ainda permanecem quando os pareceres chegam. Sem essa integração, uma proposta pode avançar mesmo depois de uma informação relevante ter mudado a conta.
Para o especialista, uma avaliação técnica também pode ajudar o empresário a ajustar a estrutura da operação antes de avançar. A partir das informações levantadas, é possível renegociar condições, ampliar a reserva de recursos, ajustar o modelo do negócio ou definir os próximos passos com mais clareza.
A verificação não elimina o risco de perdas, mas permite decidir com uma visão mais completa do compromisso assumido.


